Crítica: Carrie - A Estranha de Stephen King

Páginas: 200

Autor(a): Stephen King

Editora: Suma de Letras

Ano de Publicação: 1974


Avaliação:


Capa: 4 estrelas

Diagramação: 3,5 estrelas

Obra Completa: 4 estrelas



Carrie, a Estranha narra a atormentada adolescência de uma jovem problemática, perseguida pelos colegas, professores e impedida pela mãe de levar a vida como as garotas de sua idade. Só que Carrie guarda um segredo: quando ela está por perto, objetos voam, portas são trancadas ao sabor do nada, velas se apagam e voltam a iluminar, misteriosamente. Aos 16 anos, desajustada socialmente, Carrie prepara sua vingança contra todos os que a prejudicara.
Quem acompanha o site há mais tempo, sabe o quanto sou fã de Stephen King. Suas narrativas bem elaboradas e seus personagens bem desenvolvidos sempre me encantaram. A história de Carrie é conhecida no mundo todo. Em partes pelo talento do mestre e também pelas três adaptações que a obra já ganhou. Será que Stephen King acertou também em seu 1° romance?

"A expressão "sinto muito" é o xarope das relações humanas. É o que se diz quando se derrama uma xícara de café ou se joga uma bola fora numa partida de boliche com as garotas da turma. Mas sentir realmente o que aconteceu é raro como o amor verdadeiro."

É muito interessante a maneira como King conduz sua narrativa neste livro. Aqui, além do desenvolvimento normal do enredo, temos uma narrativa recheada de fragmentos de depoimentos de vítimas de Carrie – sim, o espectador fica sabendo desde o início que algo trágico aconteceu -. Este é um recurso que consegue ser muito bem aproveitado pelo autor e nos faz ficar questionando tudo aquilo que está acontecendo e até o que pode acontecer.

Quase não existem diferenças do LIVRO para os FILMES. Sim, elas estão presentes, mas de uma maneira tão sutil, que é quase imperceptível. O livro consegue se sobressair quanto ao desenvolvimento de Carrie e os diversos pontos de vista que temos ao final da história, o que intensifica uma sensação de horror e vazio. Porém, o filme agrada mais na clássica cena do baile e nos faz odiar mais ainda a grande vilã da história. Ambos possuem pontos positivos. Eu particularmente prefiro o livro.

"Esta é a garota que eles insistem em chamar de monstro. Quero que gravem isto bem. Uma jovem que fica satisfeita com um copo de cerveja e um hambúrguer depois de seu único baile na escola, para que a mãe não fique preocupada (...)."

Diversos elementos da história de King colocam medo no leitor, mas nenhum deles é tão forte como a figura materna de Carrie. O modo como ela foi sendo trabalhada aos poucos e sua loucura colocada a mostra foi incrível. Seu fanatismo religioso abre espaço para algumas críticas leves e suas ações imprevisíveis e o clímax que a personagem proporciona mostra o porque de Stephen King ser um dos maiores autores do terror mundial. É fabuloso!

Existe uma enorme dúvida na cabeça do leitor, que é colocada proposital e brilhantemente por Stephen King. Carrie, enquanto vítima, é uma menina assustada e desprovida de qualquer malícia, mas quando seus poderes chegam ao ápice e ela comete as barbáries que fez, fica-se o questionamento. É certo sentir empatia pela personagem? Carrie, que antes era uma vítima, agora pode ser julgada pelos seus atos de maneira clara? Acho que nunca conseguirei tomar uma decisão sensata.

- Não me machuca, Carrie.
- Porque não? Me machucaram a vida toda.”

Apesar de uma grande marca do rei, a prolixidade nos capítulos de Carrie não vieram a calhar, tornando a narrativa confusa e incoerente em alguns poucos momentos. Além disso, senti falta de um maior desenvolvimento de Chris (uma das grandes vilãs). Seu desenvolvimento no filme – como citado anteriormente – é bem executado, diferente do livro. Mas devemos relevar esses pequenos erros, já que este é o primeiro livro do mestre.

Suma de Letras, como já se é de costume, conseguiu fazer uma edição simples e eficaz, mas pecou em alguns pontos. Tenho um pouco de birra com a capa. Não consigo engolir o ambiente onde a modelo está inserida. Parece mais um hotel, ou algo do tipo. A diagramação me deixou um pouco confuso nas partes jornalísticas e nos depoimentos dos personagens. Não houve uma divisão correta, o que acabou tirando pontos da edição, por me fazer sentir desconfortável em determinados pontos da leitura.



Carrie – A Estranha, não soa e não se desenvolve como um livro de estreia. Ele possui camadas incríveis de profundidade e um clímax que deixará o leitor extasiado e ávido pela continuidade da escrita fabulosa de Stephen King. Alguns personagens não são desenvolvidos corretamente, o que acaba frustrando um pouco o leitor mais crítico. Os elementos presentes no livro e a presença de personagens caricatos mostram que, sem dúvida, o talento do rei não deve ser questionado. Não é meu livro favorito do autor, mas está no TOP 5. 

Crítica: A Mulher Que Roubou a Minha Vida de Marian Keyes

Páginas: 476

Autor(a): Marian Keyes

Editora: Bertrand Brasil

Ano de Publicação: 2015

Avaliação:

Capa: 5 estrelas

Diagramação: 4,5 estrelas

Obra Completa: 3,5 estrelas



Um dia, andando de carro em meio ao tráfego pesado de Dublin, Stella Sweeney, mãe e esposa dedicada, resolve fazer uma boa ação. O acidente de carro que resulta disso muda sua vida. Porque ela conhece um homem que lhe pede o número do seu celular para o seguro, plantando a semente de algo que levará Stella muitos quilômetros para longe de sua antiga rotina, transformando-a em uma superestrela e também, nesse processo, virando a sua vida e a de sua família de cabeça para baixo. Em seu novo e divertido romance, Marian Keyes narra a história de uma mudança de vida. É tudo muito bom quando se passa de um cotidiano banal para dias cheios de eventos glamorosos — mas, quando essa vida de sonhos é ameaçada, pode-se (ou deve-se) voltar a ser a pessoa que se costumava ser?

Marian Keyes é minha autora favorita. Suas histórias me enchem de alegria e esperança. Seus livros, apesar de serem pertencentes a um gênero intitulado: “bobo”, são profundos e sempre trazem alguma coisa ao leitor. Sempre leio os livros dela quando não estou me sentindo tão bem e eles nunca me deixaram na mão até hoje. Eu sabia que gostaria de mais esse livro, só não esperava alguns defeitos que são atípicos da autora… Tem uma primeira vez pra tudo, não é mesmo?


Sou fascinado na maneira como Marian Keyes constrói seus personagens. O modo como ela nos conecta com eles é algo admirável. Visto por mim em pouquíssimos livros. Infelizmente, o que mais me decepcionou neste livro, foi justamente a ausência desse elemento tão marcante em seus livros. Stella é uma protagonista que, apesar de passar por diversas adversidades, não consegue obter a simpatia do leitor. Ela é distante e deverás irritante. Não entendia as atitudes da personagem em 80% do livro e sua submissão (o que Marian Keyes nunca faz com suas personagens femininas) me deixou desgostoso.

Diante da antipática Stella, o que restava eram os outros personagens. Torci muito para conseguir gostar de algum deles durante a trama, mas não… O único pelo qual senti alguma coisa em determinado momento me decepcionou logo depois e… Argh! Que personagem irritante. O que houve Marian Keyes? Quase não te reconheci.


Marian Keyes errou feio ao construir seus personagens, mas sua escrita continua envolvente e encantadora como nunca. Me peguei preso na história logo nas primeiras páginas e o livro de quase 500 páginas foi simplesmente devorado por mim. Tudo nela é muito envolvente e a maneira como as coisas vão sendo trabalhadas é impressionante. Acontecimentos cada vez mais surpreendentes sugavam minha atenção. Marian Keyes não me deixava respirar! AMO <3
Não se pode batizar alguma coisa de amor até tudo dar errado e as pessoas sobreviverem à crise. O amor não se trata apenas de coraçõezinhos e flores. E também não é só um sexo maravilhoso. O amor tem a ver com lealdade. Resistência. Enfrentar as batalhas como soldados, lado a lado.”
Outro evidente acerto da autora foi na construção do romance. Esqueça aqueles romances água com açúcar e comuns. Marian Keyes consegue fazer o inimaginável. Ela nos faz torcer para dois personagens antipáticos ficarem juntos. Eu shippei muito meus amigos! A atmosfera criada quando os dois estão juntos é muito bem escrita e você realmente acredita na paixão daqueles dois. Como eu disse anteriormente, poucos autores têm a capacidade que Marian possui.

O que difere os livros da autora de outros livros do gênero “Chick-Lit”, são as surpresas ao longo das tramas. Personagens viciados em drogas e detetives (sérios) são dois ótimos exemplos. Aqui, Stella Sweeney sofre de um problema grave e, até então, desconhecido por mim. A síndrome de 'Guillain Barre'! É emocionante e muito interessante o que ela descreve. Me senti com extrema agonia por ver Stella naquela situação e cheguei a me emocionar em diversos momentos. É isso o que mais me encanta na habilidade da autora.
(…) Mas ficar lamentando e vagando por aí com o coração partido é algo muito menos digno na minha idade. Depois que você passa dos quarenta, espera-se que você seja sábia, filosófica, leve uma vida tranquila em suas roupinhas coordenadas da Eileen Fisher e diga: “É melhor ter amado e perdido do que nunca ter amado. Alguém quer chá de camomila?”
Não entendi o final… Simplesmente não me desceu. Tudo foi corrido demais e desmereceu tudo de bom que a autora tinha empregado no livro. Achei clichê em alguns momentos e implausível em tantos outros. Sabe aqueles filmes irritantes da Sessão da Tarde? O final deste livro é exatamente dessa maneira. Marian tentou flertar com toda a coisa do mercado editoral – o que já fez e MUITO melhor em “Um Best Seller Pra Chamar de Meu” - e não deu muito certo. Achei muito artificial e, porque não, inspirado demais em outras obras da mesma. Não gostei!

A Mulher Que Roubou a Minha Vida é um livro inconstante. Possui grandes acertos, mas também falhas gritantes, que acabam comprometendo a conexão do leitor com os personagens e com a própria história em alguns momentos. Foi um dos livros de Marian Keyes que menos me marcaram até hoje. Não recomendo que comece a lê-la por ele. Se recomendo o livro em si? Sim, vale a diversão, mas abaixe suas expectativas.
Eu sempre achei que se crescia nos momentos de coração despedaçado; que quanto mais velha a pessoa ficasse, menos a coisa doía, até deixar por completo de provocar algum impacto. Mas descobri da maneira mais difícil que o coração partido é igualmente ruim, mesmo quando a pessoa é mais velha. A dor continua sendo horrível."
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