Crítica: A Estrela de Prata de Jeannette Walls

Páginas: 256

Autor(a): Jeannette Walls

Editora: Globo Livros

Ano de Publicação: 2014


Avaliação:

Capa: 4 estrelas

Diagramação: 5 estrelas

Obra Completa: 4 estrelas

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O ano é 1970, os Estados Unidos estão em conflito contra o Vietnã e, numa pequena localidade californiana, as irmãs adolescentes Bean e Liz Holladay nem desconfiam que estão prestes a declarar uma guerra particular contra inimigos sem rosto: a crueldade, o preconceito e a hipocrisia que vivem à espreita no chamado mundo adulto. Filhas de pais diferentes e ausentes, subitamente elas se veem abandonadas à própria sorte pela mãe. É o início de uma jornada que as leva para a terra natal dos Holladay, na Vírginia, onde descobrem o passado materno e dos respectivos pais, testemunham a tensa integração de brancos e negros numa escola típica do interior americano e desafiando a sociedade local, enfrentam o autoritário mandachuva da cidade.

A capa intimista e 'retrô' de Estrela de Prata pode enganar o leitor a primeira vista. Muitos acham que o livro é um Nobel de literatura – não estou brincando – pois sua identidade visual conta muito para isso. O livro de Jeannette Walls não é de longe tão premiado, mas isso não quer dizer que o mesmo não carrega em si uma qualidade e sutileza superiores a muitas outras obras contemporâneas.

Logo nos primeiros capítulos o leitor já é surpreendido com os fatos contados a nós pela doce e corajosa, Bean. Ela é uma garotinha e com toda sua aparente ingenuidade nos vai mostrando como ela vive junto a sua irmã mais velha Liz e sua deslocada e ausente mãe. É triste e até chocante em primeiro momento. A personalidade das duas garotas é perspicaz e as mesmas carregam uma maturidade alta para garotas da sua idade. Tudo isso é a consequência da irônica falta de responsabilidade da mãe.

"Agora, imagine duas pré adolescentes sozinhas em uma casa, tendo que administrar as tarefas domésticas, comparecer à escola e se alimentar exclusivamente de tortas de frango congeladas?"


Já perto da página 100 o leitor é surpreendido com uma decisão das meninas e mergulha com elas em um novo mundo. Descobertas são feitas pelas meninas e o medo e a insegurança tomam lugar a dor e a dúvida. A autora teve muito tato ao explorar essa nova vida das meninas e o modo como a relação delas com a mãe é desenvolvida se mostra muito esperta. Jeannette possui um talento nítido!


O livro não é recheado de grandes acontecimentos e revelações, mas a escrita da autora é tão fluída e bem construída que é praticamente impossível não se conectar aos personagens. Ser indiferente a tudo que está acontecendo não é possível, devido aos contornos bem delineados da escrita de Walls.


A linda metáfora do título do livro é perfeitamente desenvolvida ao decorrer da trama e se mostra importante. É lindo o modo como o leitor constrói laços com as duas irmãs ao decorrer do livro. Se despedir delas não foi uma tarefa fácil. Bean e Liz são especiais. São corajosas e, apesar de enfrentarem as dúvidas da idade, nunca perdem a esperança ou a vontade de lutar.

"Peguei a Estrela de Prata e levei-a para baixo. Liz estava sentada no banquinho do piano, tocando violão.
_ Tome, para você _ eu disse, entregando-lhe a medalha. _ Você merece.
Liz colocou o violão de lado e pegou a medalha. Olhou para ela durante alguns instantes.
_ Não posso ficar com ela. Era do seu pai. _ Ela me devolveu. _ Mas eu nunca vou esquecer que você quis me dá-la." 



Apesar de linear e fluido, algumas tramas são abertas em determinados momentos do livro e nem todas elas são desenvolvidas corretamente e também algumas não tem a força necessária para manter o leitor investido ou curioso, o que ocasiona uma desconexão deste com a obra em relapsos instantes, que apesar de raros, acabam atrapalhando a experiência de leitura.


A Estrela de Prata não é um livro perfeito. Possui seus poucos problemas, mas este se mostra sensível e consegue entreter e emocionar o leitor até a última página, em seu final simples e de arrancar lágrimas dos olhos. Não é um livro que se tornou um dos favoritos, mas sem dúvidas é um livro a qual irei lembram-me durante muitos anos de minha vida. Por favor, leiam!

Um comentário:

  1. Adorei a sinceridade na resenha. Não conhecia o livro e o tema é até interessante e "atual". Quantas crianças hoje em dia tem que crescerem sozinhas, com ambos os pais ausentes não é mesmo?

    http://colecionadoresdelivross.blogspot.com.br/

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