Um dos melhores filmes nacionais de todos os tempos - Crítica: Que Horas Ela Volta?


O cinema brasileiro sempre foi alvo de críticas, mas a situação piorou um pouco nos últimos anos. Filmes como: “E aí, comeu?”. “Até Que a Sorte nos Separe” e “Qualquer Gato Vira Lata” mancharam a imagem dos filmes produzidos em nosso país. As grandes redes de cinema perceberam a necessidade de realizarem filmes com temas sérios e decidiram parar de subestimar um pouco o seu público. O resultado não poderia ter sido melhor e Que Horas Ela Volta? é a prova disto.
A pernambucana Val se mudou para São Paulo a fim de dar melhores condições de vida para sua filha Jéssica. Com muito receio, ela deixou a menina no interior de Pernambuco para ser babá de Fabinho, morando integralmente na casa de seus patrões. Treze anos depois, quando o menino vai prestar vestibular, Jéssica lhe telefona, pedindo ajuda para ir à São Paulo, no intuito de prestar a mesma prova. Os chefes de Val recebem a menina de braços abertos, só que quando ela deixa de seguir certo protocolo, circulando livremente, como não deveria, a situação se complica.

Ser singelo em uma obra cinematográfica nem sempre é uma tarefa simples de realizar. Cineastas quebram a cabeça em busca de um roteiro perfeito e de tramas mirabolantes e instigantes. Anna Muylaert (a diretora) consegue imprimir sua marca de delicadeza, ao mesmo tempo em que desenvolve um enredo chamativo e lotado de metáforas e críticas inteligentes e substancialmente necessárias. O filme é lotado de críticas a divisão de classes no Brasil e isso fica explícito logo nos primeiros minutos da película, através de um uso invejável de câmera e movimento. Um artifício inteligente e trabalhado minimamente pela diretora. O filme já começa bem! 

As subtramas desenvolvidas ao longo do filme são perspicazes e cumprem com aquilo que prometem. Absolutamente TUDO que é inserido ao longo do filme tem uma explicação e condiz com uma necessidade do enredo, seja para explicar determinado fato ou trabalhar com tangentes não tão exploradas anteriormente. Gosto quando diretores e roteiristas unificam sua ideologia e colaboram para uma maior fluidez e até complexidade de um enredo. Mas não é uma complexidade mesquinha e injustificável. É, como disse, condizente.


As atuações do filme são impecáveis. Fazia tempo que não via um filme com uma excelência tão grande em seus casting. Talvez em “O Grande Hotel Budapeste”, mas se tratando de Brasil… UAU! Regina Casé dá um SHOW e consegue imprimir toda a fragilidade, inocência, ingenuidade e pureza de uma mulher sofrida e trabalhadora do nordeste, que a vida toda viveu na sombra de outras pessoas, mas nunca abriu a boca para reclamar. É emocionante! Destaque também para Camila Márdila e Karine Teles que estão incríveis e encarnaram suas personagens de maneira fenomenal.


Já não bastasse as atuações, o filme possui uma característica que se destaca em comparação as outras. Que Horas Ela Volta? é composto de diversas cenas únicas e com um poder de causar reações no público de dar inveja a qualquer cineasta. Um sentimentalismo profundo é jogado ao espectador em algumas cenas que, com certeza, possuem grande potencial para serem lembradas durante décadas. Me emocionei em diversos momentos e sorri diversas vezes diante de tamanha demonstração de arte. Não é necessário um roteiro mirabolante, quando se tem uma história bem elaborada e direta. 



As críticas presentes na película são sensacionais e extremamente necessárias. De início pensei em não abordá-las em minha crítica, mas acho que será válido discutir um pouco a que mais me chamou a atenção. No Brasil, as pessoas com menor oportunidade, são sempre julgadas e vistas com um olhar subestimável. A sociedade os marginaliza! O filme mostrou essa realidade nua e crua e deu um tapa na cara de todos nós ao nos brindar com uma cena maravilhosa a respeito deste assunto. Foi uma quebra maravilhosa de um pré conceito que já é difundido em nossa mente. OBRIGADO ANNA MUYLAERT!

Para alguns o filme pode parecer simples e até desnecessário, mas não se engane. A maioria das impressões imprimidas no público pelo filme, são fruto de uma interpretação concisa e de uma dedicação do espectador. Essa é a principal mágica! Nada é entregue de bandeja. Tudo é intrínseco aos atos do filme. Cabe ao espectador abstrair aquilo que o roteiro deseja passar como mensagem.



Você deve estar se perguntando: O filme é perfeito? E eu digo: não! Mas não vejo necessidade de desenvolver qualquer raciocínio sobre algum deslize ínfimo do roteiro. Uma obra tão bela quanto esta não merece ser diminuída por erros quase imperceptíveis. Basta aproveitar e deixar o exagerado senso crítico – ou seria chatisse? - de lado por um tempo.

Poderia ficar horas devaneando sobre a película, mas creio que devo encerrar por aqui. Pois bem… Que Horas Ela Volta? é um belíssimo filme, que trabalha questões importantíssimas com o espectador e conta com um elenco invejável a qualquer diretor de Hollywood ou produções internacionais. Um filme puro, que possui o poder de entreter, mas sem perder em nenhum momento sua inteligência. Sem dúvida, um dos melhores filmes já produzidos pelo Brasil e uma das melhores coisas que assisto EM ANOS. Por favor, assista!

2 comentários:

  1. Que crítica maravilhosa! :o
    Estava enrolando pra assistir, mas não vou fazer isso mais rs
    Assisto amanhã mesmo. Estou empolgada.

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  2. Que crítica maravilhosa! :o
    Estava enrolando pra assistir, mas não vou fazer isso mais rs
    Assisto amanhã mesmo. Estou empolgada.

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Heey!

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