Crítica: Aristóteles e Dante Descobrem os Segredos do Universo de Benjamin Alire Sáenz

25 de janeiro de 2016

Páginas: 392

Autor(a): Benjamin Alire Sáenz

Editora: Seguinte

Ano de Publicação: 2015

Avaliação:

Capa: 5 estrelas

Diagramação: 5 estrelas

Obra Completa: 4,5 estrelas


Dante sabe nadar. Ari não. Dante é articulado e confiante. Ari tem dificuldade com as palavras e duvida de si mesmo. Dante é apaixonado por poesia e arte. Ari se perde em pensamentos sobre seu irmão mais velho, que está na prisão. Um garoto como Dante, com um jeito tão único de ver o mundo, deveria ser a última pessoa capaz de romper as barreiras que Ari construiu em volta de si. Mas quando os dois se conhecem, logo surge uma forte ligação. Eles compartilham livros, pensamentos, sonhos, risadas - e começam a redefinir seus próprios mundos. Assim, descobrem que o amor e a amizade talvez sejam a chave para desvendar os segredos do Universo.
Livros com temática LGBT vem conquistando cada vez mais o mercado literário. Algumas histórias são apenas clichês e aproveitam de seu tema chamativo para fazer sucesso, outras conseguem transmitir com êxito toda a dúvida e fúria de uma pessoa em uma situação delicada de preconceito e autodescoberta. Aristóteles e Dante é um desses livros.

O livro começa calmo. A preocupação do autor é apresentar os personagens e criar uma atmosfera agradável em cima de ambos, para que o leitor consiga criar empatia e dar atenção aquele núcleo. Bem feito! Aristóteles é um jovem extremamente confuso, irritado e CHATO, mas isso é perfeitamente justificável. Ari passa por inúmeros problemas e se esconde de si mesmo o tempo todo. Já Dante? Dante é um doce! O jovem conquista-nos desde o 1° parágrafo e seus diálogos com Ari rendem boas doses de risadas e reflexões.

"Dante estava com a expressão diferente. Parecia um anjo. E tudo o que eu queria era meter a mão na cara dele. Não conseguia suportar minha própria crueldade."


Logo após a 1° parte do livro as coisas começam a ficar mais tensas e claustrofóbicas. Ari está no auge de sua confusão e depois de diversos acontecimentos – os quais não irei revelar – o jovem se vê maluco. TODA a narrativa de Benjamin Alire consegue transmitir essa revolta e confusão no coração de Ari. É um método até estilístico. O autor repete DIVERSOS fatos ao longo da trama, para mostrar justamente essa explosão de sentimentos que Aristóteles está sentindo. Ele compreende o adolescente de uma forma assustadora. Parece até que pediu conselhos a A.S.King… Incrível!

A estrutura da diagramação do livro é diferente, justamente pelo fato que citei anteriormente. O autor acompanha a cabeça de Ari e Dante durante todo o tempo. Quando os personagens estão confusos, ou até mesmo felizes, a narrativa e sua estrutura acompanha esses sentimentos. É algo extremamente real. O livro é as artérias que bombeiam o sangue até o coração – a história. Já não bastasse os lindos trechos filosóficos inseridos pelo autor. Até a diagramação do livro acompanha isso!

"Às vezes, você faz coisas não porque pensou naquilo, mas porque sentiu. Sentiu demais. E nem sempre você pode se controlar quando sente demais."

A proposta do livro gira em torno da relação de dois adolescentes com o mundo. Isso todos já sabem. Mas a temática gay, sem dúvida, é o tema mais esperado pela maioria dos leitores que buscam a obra. Então eu alerto-os: cuidado para não se decepcionarem. Benjamin trabalha a temática gay durante o desenvolvimento da trama, mas ela não é o foco. Faltando cerca de 80 páginas para que o livro termine, o tema começa a ser trabalhado com mais vigor e o que antes foi “deixa de lado”, agora assume uma força bruta e emocionante. Eu gostei dessa decisão do autor, porém senti um pouco de falta de uma justificativa mais plausível para o final da história. Os sentimentos de Ari mudaram rápido demais e em questões de páginas, toda aquela confusão se transformou em uma certeza/verdade absoluta. Isso me incomodou bastante! Porém, é óbvio, que isso não desmerece o restante da obra.

Um festival de belas cenas. Este livro é exatamente isto! Aristóteles e Dante daria um filme sensacional. Se eu chorei? MEU DEUS! Meus sentimentos foram colocados a prova durante toda a narrativa. O autor me batia e me enganava a todo momento. Eu AMO quando um livro causa esse tipo de efeito sobre mim. A partir de coisas assim que se sabe se um livro é ou não é bom. Por mais que seja voltado aos adolescentes, ele consegue ser mais profundo e sensível do que muita coisa comercializada por aí. Benjamin está de parabéns.

"Outro segredo do Universo: às vezes, a dor era como uma tempestade que vinha do nada. A mais clara manhã de verão podia acabar em temporal. Podia acabar em raios e trovões."

Qualquer adjetivo que eu use para caracterizar este livro irá direto para o abismo interminável dos clichês. Por isso, serei breve. Aristóteles e Dante: Descobrem os Segredos do Universo é um livro sensível, inteligente, real e cru. Ele esfrega a realidade na cara do leitor e mostra como o universo pode ser assustador e como o amor pode curar as feridas, ou piorá-las de vez em quando. Recomendo para todo mundo. Aprendi muito com esse livro e espero relê-lo daqui há uns anos.

Um comentário:

  1. Cara, que interessante esse livro, eu ainda não o conhecia. Sempre fico feliz quando vejo sucessos que englobem de forma natural a discussão LGBT, acho isso deveras importante, pois geralmente esse tópico fica em destaque nas estórias, dando a sensação de que pessoas LGBTS vivem em torno disso, como se a personalidade da pessoa fosse moldada pela orientação sexual ou gênero dela hahahah Eu, como lésbica, vivo a vida de uma mulher normal, assim como qualquer hétero, e meus amigos LGBTS idem, então é sempre importante tratarem isso com naturalidade em livros/filmes/seriados.

    http://controleliterario.blogspot.com.br

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