Crítica: Joyland de Stephen King

26 de novembro de 2015

Páginas: 240


Autor(a): Stephen King


Editora: Suma de Letras


Ano de Publicação: 2015



Avaliação:


Capa: 3,5 estrelas


Diagramação: 4 estrelas


Obra Completa: 4 estrelas



Carolina do Norte, 1973. O universitário Devin Jones começa um trabalho temporário no parque Joyland, esperando esquecer a namorada que partiu seu coração. Mas é outra garota que acaba mudando seu mundo para sempre: a vítima de um serial killer. Linda Grey foi morta no parque há anos, e diz a lenda que seu espírito ainda assombra o trem fantasma. Não demora para que Devin embarque em sua própria investigação, tentando juntar as pontas soltas do caso. O assassino ainda está à solta, mas o espírito de Linda precisa ser libertado — e para isso Dev conta com a ajuda de Mike, um menino com um dom especial e uma doença séria. O destino de uma criança e a realidade sombria da vida vêm à tona neste eletrizante mistério sobre amar e perder, sobre crescer e envelhecer — e sobre aqueles que sequer tiveram a chance de passar por essas experiências porque a morte lhes chegou cedo demais.

Stephen King já é elogiado simplesmente por dar um sorrisinho. O autor é consagrado no mundo todo e, com certeza, vem percebendo isso melhor ultimamente. King tem saído cada vez mais de sua habitual "zona de conforto" e vem inovando em suas histórias, se arriscando com características de novos gêneros que nunca fora tão acostumado a trabalhar. Joyland é a exemplificação viva de toda essa mudança. O livro possui sim elementos de terror, mas mais se parece com um Young Adult.

O livro já começa interessante, pois King, como sempre, se encarrega de nos apresentar Devin Jones, um ex-universitário que está pronto para enfrentar a vida. Diferente de algumas obras de King (alá O ILuminado), o autor não enriquece a personalidade e o desenvolvimento de Devin com detalhes. King é rápido! A rapidez ideal para se desenvolver um personagem aparentemente simples. King consegue acertar logo de cara.


As pessoas pensam que o primeiro amor é fofo e fica ainda mais fofo depois que passa. Você já deve ter ouvido mil músicas pop e country que comprovam isso; sempre tem algum tolo de coração partido. No entanto, essa primeira mágoa é sempre a mais dolorosa, a que demora mais para cicatrizar e a que deixa a cicatriz mais visível. O que há de fofo nisso?”

Já nas primeiras 100 páginas o parque nos é apresentado e King descreve locais fantásticos e costumes ocultos e expostamente exagerados sobre a cultura americana. São tantos aspectos interessantes em volta daquele local, que tudo se torna delicioso de acompanhar. Fica óbvio, logo de cara, o verdadeiro protagonista da história. Joyland!

A história apresenta elementos de outros livros famosos de Stephen, mas é a mais inovadora na hora de explorar os aspectos centrais da trama. Seus personagens são bem mais vívidos e centrados, sendo que a vida de todos eles possuem relação com a atmosfera sombria e misteriosa do parque. O suspense é o gênero que deveria se sobrepor durante toda a narrativa, mas King explora tão bem o drama e o faz ficar tão interessante, que tudo é ofuscado. O livro começa a perder o "fio da meada" a partir desse momento.


"Poderíamos discutir sobre qual é o verso mais macabro da música pop, mas, para mim é um do início da carreira dos Beatles; John Lennon canta "Prefiro ver você morta, menina, a ver você com outro homem". Eu poderia dizer que nunca pensei isso de Wendy, depois do rompimento, mas seria mentira.. Não era constante, mas eu pensei nela com certa crueldade depois que terminamos? Sim. Houve noites longas e insones que pensei que ela merecia que algo ruim, talvez bem ruim, acontecesse, pela forma como me magoou. Eu ficava amargurado por pensar assim, mas às vezes, pensava."

King desenvolve a relação de Devin com uma família e consegue fazer isto com maestria. Ironicamente, foram as partes que mais me prenderam de todo o livro, mas isso não é tão ideal em um livro em que o foco principal seja o terror/suspense. No começo ele promete demais e constrói diversas vertentes a serem exploradas em volta de todo o suspense que rodeia o parque, mas esse mistério não é desenvolvido corretamente e acaba sendo deixado de lado para que o drama tome lugar e se torne o grande centro da história. King se perdeu enquanto construia toda a narrativa e isso ficou perceptível demais.

De todos os livros que li do mestre, creio que Joyland foi o mais singelo em termos de emoções. King criou cenas sensacionais que conseguiram me tocar de uma maneira inexplicável. Autores já renomados e que estão mais familiarizados com a construção de cenas dramáticas, não obtiveram tanto sucesso quanto King obteve em alguns trechos do livro. É realmente impressionante.

A edição, como já se é de costume, está muito caprichada. A capa é sensacional! Creio que seja a capa mais bonita que tenho em minha estante e provavelmente a mais bonita de todos os livros de King que foram lançados até agora. A diagramação continua da mesma maneira dos outros livros do mestre. Revisão bem feita e tradução invejável. Parabéns a Suma!

"Eu era um virgem de vinte e um anos com aspirações literárias. Tinha três calças jeans, quatro cuecas, um Ford Velho (com um rádio bom), pensamentos suicidas eventuais e um coração partido. Que fofo hein?"

Joyland é um livro com bons personagens e uma trama instigante, mas que falha em desenvolver seu foco principal. O suspense! O desfecho do livro, apesar de interessante, não responde todas as perguntas que são feitas durante a narrativa. O drama acaba se tornando o foco principal e, neste quesito, o livro é fantástico. Recomendo para aqueles que tem interesse em conhecer um novo King e também para todos que necessitam de um bom drama com doses falhas de suspense. 

Crítica: A Esperança - O Final

19 de novembro de 2015

E assim termina a saga da heroína.

Sou suspeito para falar de Mockingjay, pois depois de Harry Potter, Jogos Vorazes foi a saga que mais me marcou. Contei cada dia do ano, até o momento chegar. Chegou! POR QUÊ?????

A Esperança começa exatamente de onde o penúltimo filme parou. Esse recurso narrativo garanti rapidez e mostra a maturidade da direção logo de cara, pois flashbacks desnecessários são evitados e a história é logo jogada para o público; Katniss está frágil e confusa, pois deve tomar decisões importantes, além de ver Peeta na situação em que está. Tudo está uma grande bagunça e resolvê-las demanda tempo, mostra as quase 2:20h de filme.

O filme é bem mais rápido e fluído do que a Parte 1, pois o roteiro já tem espaço para trabalhar com a ação e faz isso muito bem. Todas as cenas de ações são planejadas magistralmente, sendo que uma delas rende – para mim – o melhor momento de todo o filme, devido a sua fantástica carga de suspense bem aplicado.


Josh Hutcherson e Jennifer Lawrence dão um show neste filme. Ambos os personagens têm destaque prioritário e conseguem aguentar a pressão até o último momento. As cenas em que os atores aparecem só mostram o quão preparado e interessados estavam. O restante do elenco está bom em seus papéis, mas ninguém surpreende tanto. Não é dado tanto material para que alguns atores trabalhem, o que acaba empobrecendo um pouco a trama em alguns momentos. Mas nada disso é muito relevante para a trama em termos de continuidade, pois o filme consegue se sobressair a cada cena.

Alguns pontos que me incomodaram:

Por que insistir em um triângulo amoroso tão forçado? Eu nunca gostei da maneira como Suzanne Collins trabalhava o romance de Katniss, Peeta e Gale nos livros, mas no filme isso só ficou pior. Todos os momentos em que o triângulo amoroso foi colocado em pauta, diminuíram a grandiosidade do filme e destoaram completamente do conteúdo proposto pelo diretor, desde Em Chamas. Além disso, os diálogos de Gale e Katniss são bastante forçados e os mesmos não convencem em nenhum momento.


O prólogo – cena mais esperada por mim -, decepciona um pouco. A fotografia do filme em si, vai contra o material antes apresentado na franquia e a cena acaba que se torna algo muito Crepúsculo de se ver. Muito artificial. Muito meloso: faltou profundidade. Faltou sutileza!

O que mais me agradou:

Que cenas empolgantes! A Esperança empolga em sua maioria e isso é muito positivo para um filme que busca atingir um público-alvo mais difícil de se entreter, em termos de fixação. São cenas que brindam o espectador com ferozes críticas a nossa sociedade e trabalham perfeitamente com algumas mensagens essenciais para os dias em que vivemos. Não há vencedores na guerra, só perdedores.


A relação de Katniss e Peeta convence em todos os momentos – diferente de seu “rival” Gale -. É muito bonito de ver a evolução dos personagens ao longo da trama e a entrega de Katniss a Peeta é trabalhada de uma maneira lenta e precisa. O relacionamento que eles cultivaram desde o primeiro filme é respeitado e no final tudo condiz com a personalidade dos mesmos.

É o fim:

Eu agradeço. Agradeço ao primeiro filme de Jogos Vorazes, que fez com que eu me interessasse pelos livros, fazendo com que eu começasse a ler e nunca mais parasse. Agradeço a todos os bons momentos que passei lendo e assistindo essa obra. Agradeço por todas as risadas, lágrimas e até pela fúria momentânea. Agradeço pelo despertar do meu senso crítico, que só se aprimora a cada dia. Jogos Vorazes não é uma franquia perfeita, longe disso, mas me marcou muito e isso eu jamais esquecerei.

Assim como Harry Potter mudou minha vida, Jogos Vorazes também o fez!

Que a sorte esteja sempre a seu favor...

Um dos melhores trabalhos da Pixar: Divertida Mente

11 de novembro de 2015


Divertida Mente!
Sempre fui um grande admirador de animações. Desde pequeno sou aficionado por essas histórias tão singelas e encantadoras, que tocam almas de pessoas de todas as idades. A última animação que despertou um sentimento de alegria em mim foi "Ratatouille" da Pixar (mesma produtora de Divertida Mente). Ratatouille foi uma animação que tive o prazer de assistir, pois ela me trouxe sentimentos únicos. Estava sedento por experiências tão únicas quanto essas e nada me era oferecido. Até chegar Divertida Mente.

Divertida Mente possui uma profundidade digna de grandes filmes Oscarizados. O enredo é de uma criatividade ímpar, juntamente com os personagens bem desenvolvidos, que encantarão qualquer pessoa que resolver dar atenção a película.



O que mais impressiona em Divertida Mente é a verossimilhança que a animação consegue atingir. Apesar de lírico e ficcional, a animação consegue tocar o coração de qualquer pessoa que a assista, pois trabalha com fatos simples e muito presentes de nossa vida cotidiana. Além de emoções concretizadas em personalidades simpáticas e hilárias, as emoções aqui, também são trabalhadas em suas formas abstratas e renderizadas de realismo. Tudo é muito vivo! Muito real. Só uma animação de qualidade consegue dar tal característica a seus personagens.

A criatividade dos roteiristas chama a atenção desde o 1° ato do filme. O fato de um mundo se passar na mente de Riley, e esses serem comandados por emoções aleatórias, já é magnífico, mas todo o MUNDO que é explorado pelos diretores da animação é o que mais vale a pena. São ilhas de personalidades fragmentadas. Estúdio de teatro, com roteiro próprio, que é responsável por criar os sonhos. E olha que eu nem citei a ilha do Hockey...



O enredo não é delicado somente na criação de mundo e personagens. Ele acerta mais uma vez na hora de estabelecer empatia com o telespectador; Uma torrente de sentimentos é exposta ao público e fica a cargo de quem assiste, a maneira como aproveitará tudo aquilo. São sentimentos, que apesar de complexos de se trabalhar, conseguem ser passados ao público com maestria, graças ao incrível roteiro. Um trabalho admirável, que se for repetido nas sucessoras animações da Pixar, levará a indústria para um patamar maior do que já está.

O 3° ato do filme é o mais bem construído, pois todo o clímax do filme se concentra nas mãos da Alegria, que mostra o quanto é forte e está disposta a ajudar Riley. A aventura que ela passa com Tristeza é extremamente relevante para a construção da animação, pois diferente de outras animações com foco parecido, a aventura das duas não é apenas a busca por alguma coisa. Ela preenche cada esfera do filme, respondendo todas as perguntas que o espectador pode ter feito durante a narrativa.


Depois de tantos acertos, Divertida Mente joga o seu trunfo final e mostra de uma vez a incrível qualidade da animação. Tristeza é uma personagem já rejeitada no começo, devido a sua essência auto-denominada. O enredo consegue colocá-la em status de favoritismo com o público, mostrando que ao contrário do que todos pensavam, ela é sim, extremamente necessária. Pois sem tristeza, não há felicidade e nenhum outro sentimento. Um é dependente do outro. This is AMAZING!

A mensagem final do filme é uma das melhores coisas da animação. Divertida Mente ensina e toca crianças e adultos de todas as faixas etárias e consegue comover com sua moral marcante. É uma animação que cumpre com tudo o que promete e ousa em todos os sentidos, sem perder a linha em nenhum momento.

Divertida Mente é uma animação que inova em todos os aspectos e não possui nenhuma falha aparente. Um filme que eu AMEI ter assistido e que, sem dúvida alguma, está no meu ranking de favoritos. Espero que a PIXAR continue produzindo animações de tão grande qualidade. Divertida Mente vale sua atenção. NÃO PERCA!

















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