A decadência da TV Aberta

29 de outubro de 2015



Entreter! Essa é a palavra buscada por todo e qualquer meio midiático que busque uma aproximação eficaz e qualitativa com seu público. Todos estão em busca de um público específico. O objetivo maior? Transformar e conquistar as pessoas, para que elas se enquadrem em um determinado grupo social e o produto seja consumido e passado para frente. O problema, é que a qualidade oferecida pela TV aberta atual, não está satisfazendo mais o público. As pessoas mudaram e buscam constantemente por entretenimento de qualidade, o que a "televisão do povo" não está conseguindo mais oferecer.





A TV aberta caminha claramente para seu fim ou mudança total, e será muito em breve engolida em definitivo pela TV por assinatura e principalmente pelo conteúdo on demand. Da mesma forma que o celular (que era inacessível) substitui a telefonia fixa e a matará em breve, o e-mail matou o fax, e os leitores digitais vão aos poucos sepultando os livros e mídias impressas






Deduzir causas para a diminuição da audiência de massa no meio aberto, apesar de uma tarefa fácil, é bastante curiosa. Depois do surgimento das séries de TV, o público percebeu que poderia e deveria assistir coisas um pouco mais complexas e sair da zona de conforto. Não que todas as séries iniciais viessem com uma proposta tão diferenciada, mas tudo isso foi um choque de entretenimento muito bem-vindo para o público. Principalmente para o público brasileiro, que estava/está cansado de novelas e programas de auditórios, que conseguem a cada vez, inovar em seus aspectos de previsibilidade mórbida.

Entretenimento de qualidade.
Infelizmente, a insistência dos meios televisivos em mostrar o que todo mundo já sabe e investir massivamente em um sensacionalismo que já está batido, é resultado da aceitação de um público antigo. Pessoas fiéis, que consomem esse tipo de produto, mesmo que ele esteja em declínio crescente. As coisas só irão mudar um pouco de figura, quando todos, em conjunto, perceberem o quanto nossa programação atual é pobre. Um roteiro fraco! Um roteiro lotado de referências clichês a coisas já feitas anteriormente e reutilizadas atualmente. Bastante triste, não?

Apesar de tudo, é possível resgatar a qualidade a tanto tempo deixada de lado pela TV aberta. Ok! Você pode dizer que não precisamos, porém, já parou pra pensar que nem todo mundo tem acesso a TV fechada e a servições de streaming, como a NETFLIX ou TeleCine Play? O que essas pessoas podem fazer? Nem sempre quem assiste a esse tipo de programa tem a opção de escolha. Por isso uma mudança é tão necessária. Enquanto as pessoas não pedirem e exigirem por uma programação melhor, nada mudará. As emissoras sabem que existem milhares de pessoas refém de seus produtos. Seja essa pessoa por alienação, ou por pura falta de sorte.

Diga: XXXXXX!

O assunto pode soar preconceituoso para algumas pessoas, devido ao gosto pessoal de cada um, mas é nítido o modo como a TV aberta não tem se dado ao trabalho de melhorar. Todos! Sem exceção, estão majoritariamente insatisfeitos. Algo deve ser feito, antes que seja tarde demais.

Que venham menos Casos de Família e mais MasterChefs.

Crítica: Mosquitolândia de David Arnold

22 de outubro de 2015

Páginas: 352


Autor(a): David Arnold


Editora: Intrínseca


Ano de Publicação: 2015


Avaliação:


Capa: 5 estrelas


Diagramação: 5 estrelas


Obra Completa: 5 estrelas (FAVORITO)





Meu nome é Mary Iris Malone, e eu não estou nada bem.” Após o inesperado divórcio dos pais, Mim Malone é arrastada de sua casa em Ohio para o árido Missis - sippi, onde passa a morar com o pai e a madrasta e a ser medicada contra a própria vontade. Porém, antes mesmo de a poeira da mudança baixar, ela descobre que a mãe está doente. Mim foge de sua nova vida e embarca em um ônibus com destino a seu verdadeiro lugar, o lar de sua mãe, e acaba encontrando alguns companheiros de viagem muito interessantes pelo caminho. Quando a jornada de mais de mil quilômetros toma rumos inesperados, ela precisa confrontar os próprios demô- nios e redefinir seus conceitos de amor, lealdade e sanidade.

Young Adult é meu gênero favorito atualmente. Sei que grande parcela desses livros são cópias descaradas de outros livros – bons – do meio, mas eu não consigo me desapegar de livros que trabalham o emocional adolescente. Afinal, eu sou um adolescente prestes a explodir! Mosquitolândia foi um livro que me chamou a atenção logo de cara. Fui ler apreensivo, devido algumas críticas negativas e acabei me surpreendendo positivamente. Ainda estou pensando, mas acho que este livro foi o melhor que já li na vida.

                                                                            Opinião


Mosquitolândia tinha tudo para ser mais um YA comum e previsível, mas a genial originalidade de David Arnold e as personalidades imprevisíveis de seus personagem, fizeram desse livro um dos melhores que já li no gênero. 
"- Sabe, quando eu era mais nova, achava que, se vivesse o bastante, entenderia melhor as coisas. Mas agora sou uma senhora, Mim. E juro que, quanto mais vivo, menos as coisas fazem sentido."
Eu amo qualquer coisa que envolva "road trip". A sensação de liberdade que uma história que aborde o tema me trás, é impagável. Porém, assim como em Cidades de Papel, livros que giram em torno da busca por alguma coisa, podem acabar se perdendo no meio do caminho. Mosquitolândia não só se sustentou durante toda a narrativa, como se reinventava a cada novo capítulo. 

Acompanhar MIM em toda essa jornada foi algo sensacional. Me sentia feliz por descobrir tantas coisas novas com ela e a cada risada e "flashback" da personagem, eu me sentia ainda mais próximo de todo aquele mundo. Me peguei torcendo inúmeras vezes para que determinadas coisas não acontecessem, mas não deu muito certo... E quer saber? AINDA BEM! O mais mágico do livro, é justamente sua carga explosiva de elemento surpresa. 
"Sempre achei que, se o amor estivesse no caminho, eu o encontraria ou capturaria – nunca achei que tropeçaria nele."
O ponto mais forte do livro - o que merece ser ressaltado -, são os personagens. OS AMEI! O que impressiona na construção dos personagens da estória de David, é a maneira como cada um deles é desenvolvido delicada e calmamente. São pessoas com inúmeros defeitos e qualidade e que são capazes de despertar sensações variadas no leitor. É realmente mágico quando algo desse tipo acontece. A partir de coisas assim, é que você percebe que um livro é especial.

A maioria das pessoas que lê Mosquitolândia, acabam dando 4 estrelas para o livro. Todos alegam que o meio é um pouco monótono e que quebra o ritmo do livro. Eu discordo! Adorei tudo o que David quis fazer. Ele introduziu personagens importantíssimos na história e através desses conseguiu construir o restante da história com maestria. 
"Acredito que existem pessoas no mundo, cujo único propósito e mostrar para nós o que não fazer."
A edição da Intrínseca faz jus a grandiosidade do livro e entrega logo de cara o momento mais importante da história. A textura da capa é incrível, assim como a diagramação caprichada e todo o cuidado que eles tiveram com a tradução e a não tradução de alguns termos em inglês. Uma edição muito bem feita!

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Mosquitolândia é um livro profundo e diferente. O autor consegue brincar com o sentimento de adolescentes confusos, mas em nenhum momento isso parece forçado ou conveniente. Mim é, sem dúvida, uma das personagens mais incríveis que já tive o prazer de ler. E O FINAL! Talvez, o melhor que já li em minha vida.

Por que ler Mosquitolândia? Porque você merece se divertir e emocionar com as aventuras desajeitadas de uma garota como Mary Iris Malone. E, no final, a mensagem do livro valerá mais a pena do que você imagina.
"Mas essa é a essência da mudança, não é? Quando é gradual, chama-se crescimento; quando é rápida, mudança."















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