Honeymoon é o álbum que todo cantor gostaria de compor: Crítica a Honeymoon de Lana del Rey

Lana Del Rey é aclamada e odiada pela crítica. Lana é uma cantora inconstante. Lana é imprevisível. Lana é Lana, meus amigos.

Depois do duvidoso musicalmente, Ultraviolence, a cantora se arrisca em um projeto não tão inovador, mas bastante diferente de seu álbum antecessor. Honeymoon explora as faces do amor e nos apresenta uma cantora que quer apenas fugir de sua realidade e se deixar levar pelo baseado e por uma boa música.

O que eu achei de um álbum tão delicado e rebelde? Vem comigo:

PS: Essa não é uma crítica! É apenas a opinião de uma pessoa que NÃO entende o suficiente de música, mas quer compartilhar sua opinião sobre algo que tanto gostou. Peguem leve ;)

Não dei minha opinião sobre todas as faixas. Apenas das 8 que mais gostei.



MEU TOP 5:

1 - 24

2 - Gods Know I Tried

3 - Music To Watch Boys To

4 - High By The Beach

5 - Freak

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Honeymoon - 1°

We both know that it's not fashionable to love me”. Lana começa a faixa-titulo do álbum com uma afirmação nada convencional e bastante autoral. Ela ama incondicionalmente seu parceiro, mas não está disposta a colocar sua vida em risco atoa. Ela precisa de uma confirmação legítima: "Say you want me too". Honeymoon é uma música extremamente profunda e que possui várias camadas a serem descobertas. Não é uma música que será amada logo na primeira vez, justamente por seu ritmo lento e característico de músicas clássicas. Escute mais uma vez! Você vai se apaixonar e ficará doido para ir a Honeymoon com Lana.

Music To Watch Boys To - 2°

Diferente! É assim que definiria/defino essa música. Considero-a bastante experimental, como se fosse um teste, ou uma música ainda não finalizada. MAS A AMO! Além de enigmática, Music To... Consegue, também, mostrar um lado de Lana ainda não visto por nós. É muito gostoso ver como ela enxerga certas coisas e a maneira como aplica isso a uma simples "paquera". Tudo em Honeymoon é poesia, e essa música é a que mais prova tudo isso. Uma das minhas favoritas.

Terrence Loves You - 3°

Uma das músicas mais icônicas do álbum e uma das mais amadas pela crítica profissional. Terrence mostra a paixão que Lana tem pelo jazz. É bem mais uma música que remete a paixão de Lana pelo seu gênero musical favorito, do que a idealização de qualquer pessoa ou algum amor inabalável. É diferente! E foi isso que me chamou a atenção na música. Não gosto tanto dela, justamente pela melodia que não me agrada, mas a própria Lana disse em uma entrevista, que Terrence é mais letra que melodia.

God Knows I Tried - 4°

É a música mais sentimental de todo o álbum. A letra carrega uma simbologia pesada e que denota o desespero de Lana ao tentar conquistar um amor que parece inexistente. God Knows I Tried é a música mais poderosa do álbum em quesito radiofônia e poderia virar single sem nenhuma preocupação. Tenho certeza que faria sucesso nos charts! Essa música é uma súplica e um pedido de ajuda sedutor. Lana recorre a Deus e afirma várias vezes a ele, que sim. Ela tentou! Uma música incrível <3.

High By The Beach - 5°

O primeiro single! Foi feita para vender! É a música "mais fraca" do álbum, mas não deixa de ser incrível. Lana também tem que ganhar dinheiro gente! Apesar de ser bastante POP, a música se mostra poderosa em seu refrão e inova em apresentar uma protagonista (como se chama o foco da narração em uma música? "eu-lírico") totalmente drogada. Sim, ela está loucona e isso é muito engraçado. High By The Beach é aquela música para se escutar 1000x sem enjoar. Uma das mais incríveis, sem dúvida.

Freak - 6°

Tem um teor sexual que chama bastante atenção. Não é vulgar hora alguma. A música tem estilo, e assim como a letra, consegue seduzir. "Your halo's full of fire.I'm rising up, rising up". Lana Del Rey é mesmo ousada, não é? Freak é uma música que usa sintetizadores a seu favor e através de uma melodia densa, leva o ouvinte a dançar no embalo de Del Rey. Hipnótica! Esse é o adjetivo que defini Freak da melhor maneira.

Art Déco - 7°

Uma música preenchida pela intelectualidade e referências icônicas. Art Déco é a música que mais me apaguei de Honeymoon. Minha relação com a música é esquisita, pois ela não é minha favorita, mas é a 2° mais ouvida do meu celular. Motivo? Estou tentando desifrá-la! Lana canta sobre um amor tão antigo e ousado, que chega a ser retrô. Uma música linda e que merece ser apreciada. 

24 - 8°

Uma linda analogia a quanto tempo perdemos em detrimento da idade que temos. Metáfora pura essa música! Lana sente raiva por não ter aproveitado mais/melhor seu amado. Sente ainda mais raiva dele por ser quem é: “There's only 24 hours and that's not enough. To lie like you lie”.  É até difícil para mim falar dessa música, pois eu realmente a amo. A melodia, a letra, a interpretação. Senti Lana Del Rey com sua moldável tristeza, cantando para mim, aqui na sala de casa. 24, além de contar uma bela história, ainda traz uma linda lição. Uma lição daquela que pede ajuda! A melhor controvérsia que pode existir <3.

O Álbum em si.

Honeymoon é elegante, radiofônico e melancólico. Lana mostra mais uma vez o motivo de ter a força que tem no mundo da música. Um álbum que vocês DEVEM ouvir até o fim e uma cantora que, quem ainda não presta atenção, deveria abrir os olhos para. 

Honeymoon é diferente de Born to Die, que é diferente de Ultraviolence. Ele é mais sucinto e menos melancólico. Não abusa dos clichês e da emoção preponderada para conseguir agradar. Soa fresco aos ouvidos e ardente a mente. Honeymoon sabe que queremos chorar, rir, sorrir e gritar. Ele nos fornece isso e no final, quando a última música tocar, você vai agradecer por ter ouvido algo tão bom.

NOTA: 4,5 DE 5 ESTRELAS. 

Crítica: Difamação de Renée Knight

Páginas: 240


Autor(a): Renée Knight


Editora: Suma de Letras


Ano de Publicação: 2015



Avaliação:


Capa - 3,5 estrelas


Diagramação - 4 estrelas


Obra Completa - 3 estrelas




Catherine Ravenscroft chegou à meia-idade levando uma vida perfeitamente normal: é casada, tem um filho, ama o emprego, gosta de ler nas horas vagas. Agora que o filho cresceu e seguiu seu próprio rumo, ela e o marido decidiram se mudar para uma casa menor. Em meio ao caos da mudança, Catherine encontra O completo estranho, um livro que não se lembra de ter comprado. 
Intrigada, ela inicia a leitura, mas logo se dá conta de algo terrível. O que está ali não é ficção. A narrativa traz, com riqueza de detalhes, o dia em que Catherine se tornou refém de um segredo sombrio. Até então, ela achava que ninguém mais sabia o que havia acontecido naquele verão, vinte anos antes. Pelo menos ninguém ainda vivo.

Difamação me deixou bastante curioso. O depoimento de um dos meios mais importantes de comunicação (The New York Times) em sua capa, me animou ao extremo. Esperava um livro que me tirasse o fôlego e me fizesse quebrar a cabeça para desvendar o mistério. Ok, eu confesso… Difamação até tem suas reviravoltas surpreendentes, mas nada é feito com naturalidade. A impressão que tive foi que a autora estava sem ideia e começou a desenvolver a história ao longo do tempo. Sem planejamento! Sem nada! O livro é uma sequência de controvérsias e acontecimentos que beiram o ridículo. 

                                                                          Resumo

Catherine tem uma vida invejável. É a típica “madame”. Tem tudo o que quer, na hora em que quer. Não é conhecida por ser uma pessoa simpática. O maior medo dessa mulher? Aparentemente, nenhum! Catherine é uma dama de ferro e não se deixa abalar por nada, nem ninguém. Isto é, até O Completo Estranho chegar em sua casa.

O Completo Estranho é um livro que Catherine nunca antes ouvira falar. O livro é intrigante, pois narra em detalhes fragmentos da vida de Catherine. Como alguém pode ter presenciado todos os momentos da vida da mesma? Todos os pecados e erros de Catherine são duramente expostos no livro e o que era desesperador, se torna horripilante. O marido de Catherine também recebe o livro!

O que de tão misterioso esconde o livro? Catherine tem medo que seu marido tenha acesso ao seu passado. Mas por quê?

                                                                          Opinião

Não sou um leitor aficionado por "thrillers". Vez ou outra dou uma chance a algum livro do estilo, e sempre espero ser surpreendido pela obra. Eu até fui pego de surpresa por Difamação, mas não da maneira como esperava.

O livro começa muito bem. A autora se preocupa em dar atmosfera ao livro e apresenta ao leitor alguns personagens que serão chaves para a trama. Tudo é feito aos poucos e delicadamente. Tive uma boa impressão com esses elementos empregados pela autora. Geralmente, um livro que começa tão bem, não desanda tao facilmente. Mas só foi chegar na página 100...



Renée começa a revelar os tão temidos segredos que contornam a vida de Catherine. O problema é que todos eles são revelados atráves de lembranças da personagem e de narrações de outra pessoa (a qual não revelarei o nome). É muito confuso! Várias versões do mesmo fato são diversas vezes contadas. Não sabia em que acreditar e muito menos se tudo aquilo era verdade. Hora nenhuma é possível sentir empatia por Catherine ou por algum outro personagem. Não me preocupei em saber o segredo tão obscuro da protagonista. Minha maior preocupação era terminar logo o livro. Tem coisa mais ruim que isso?

A curiosidade é o fator determinante para um livro de mistério dar certo. O leitor PRECISA sentir-se curioso com a trama, ou nada feito. Houve sim momentos em que ficava me fazendo perguntas internas, do tipo: quem foi? quem fez? por quê? Mas apenas no ápice da história isso foi possível. Momentos como o desenvolvimento de personagens secundários, soaram genérico e excessivo. Tudo é pouco articulado, pensado e efetuado. Mais parece um projeto de peça de teatro do que uma cena de "descoberta" em si. Artificialidade! Essa é a palavra que resume os momentos chaves de Difamação. 


A dualidade que Renée coloca em sua protagonista é interessante e objetifica um tipo de pessoa que não é muito comum nos livros do gênero. Catherine é traiçoeira. Não sabia se confiava, ou não, na protagonista. MUITO BOM! Adorei o modo como ela foi desenvolvida, pois apesar de fatos subsequentes revelados desleixadamente, a figura por trás do ego de Catherine é enigmática e dá certo. Ela me lembrou muito personagens dissimuladas, como as tantas desenvolvidas por VonTrier, por exemplo.

Gostei bastante da edição. As folhas são amareladas (com um tom um pouco menos neutro do que o normal) e a diagramação é bem estruturada, apesar da fonte não ter me agradado tanto. Frescuras! O livro está muito bem revisado e planejado. Gostei da capa. Ela combina com a história. Não é algo espetacular, mas o livro é caprichado.


Difamação tem um início completo e bem arquitetado, mas começa a se perder apesar da página 100. O fator mais imporante para um "thriller" dar certo é deixado de lado e o amadorismo da autora é colocado a mostra. Esperava mais de um livro elogiado pela autora de Garota Exemplar. Um livro oscilante, mas que merece ser lido pela fantástica personalidade da protagonista - a qual foi muito inspirada em Amy, de Flynn. 
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