Pare pra pensar e avalie melhor suas leituras

19 de agosto de 2015


Já parou para pensar que em TODA nossa vida, provavelmente, não leremos nem 3000 livros? A cada ano são lançados mais de 10000 obras, ou seja, a quantidade que leremos de livros em nossa vida, comparada a quantidade de livros publicadas, é ridiculamente ínfima. MAS CALMA. Não se desespere! Acompanhe-me.



                                                              Escolha melhor a suas leituras:

Eu sempre gostei muito de livros com uma pegada mais dramática, mas só esse ano que fui assumir de vez que esse é o gênero que mais me atrai, o que anda me possibilitando um ritmo de leitura muito mais gostoso, pois na maioria das vezes, só leio aquilo que realmente gosto. Não há problema em se ler um livro diferente daquilo que você está acostumado – é até bom. O problema é quando as leituras não são bem escolhidas e o ato de ler começa a se tornar algo massante e cansativo, justamente por uma escolha não pensada. Ler exigi tempo, paciência e uma série de outros aspectos que demandam dedicação. Pra que gastar seu tempo com leituras que não serão válidas para o seu tipo de pessoa? Isto é, se tiver consciência de que o livro X realmente não irá te agradar.

Nós leitores, temos a feia mania de julgar um livro pela capa e, na maioria das vezes, nem procuramos ler a sinopse do livro antes de adquiri-lo. Gente, não faça isso! Na maioria das vezes é sinônimo de livro empacado na estante, o que não é nada produtivo, nem pra sua formação como leitor e nem para o seu dinheiro mal gasto. Concorda? Pois é, hihihi! Na hora de comprar: avalie, pense, reflita e, só aí, faça a compra. Pode parecer exagero da minha parte, mas um livro empacado na estante não é nada bonito.

                                                             O benefício de se ler melhor:

Mas eai, já parou pra pensar quais são os benefícios de se escolher melhor uma leitura? São inúmeros, isso eu posso te adiantar. Bom, primeiramente, foi aquilo que eu disse. Seu tempo será gasto com algo que você realmente se importa e tudo acabara valendo muito a pena. Além disso, com leituras mais pensadas, seu dinheiro não é desperdiçado e o seu nível de aproveitamento intelectual com aquela leitura, com certeza, será maior, já que você está lendo aquilo que tem prazer. E lógico, se divertirá muito!

                                              A importância de sair da zona de conforto:

Arriscar sempre dá medo, pois pisar em território desconhecido é algo que amedronta a qualquer pessoa, mas é necessário arriscar, para que haja uma alta descoberta satisfatória. Você nunca descobrirá se gosta de um alimento, se não experimentá-lo e com os livros é a mesma coisa. É necessário ler gêneros diferentes e tentar descobrir se possui afinidade com o mesmo. Isso te trará experiências diferenciadas em seu campo de leitura e acarretará em um amadurecimento bem maior de sua pessoa. São novas áreas, novos ares!

                                                                     Leia o que quiser!

Falei sobre escolher novas leituras e desbravar novos mundos, mas o importante de tudo está demasiado explícito para vocês. LER GENTE! O mais importante para se aproveitar uma leitura é ler o que gosta, por isso venho repetindo isso ao longo do post. Ler o que gosta = ler. Ler é ou não é maravilhoso? Pois então… LEIA!

Espero que tenham gostado do post e que consigam abstrair coisas úteis do mesmo. Até logo.

Uma série que merece sua atenção: Shameless U.S

17 de agosto de 2015

Por mais eu goste de seriados de TV, não sou uma pessoa muito adepta a acompanhá-los. São poucos os seriados que conseguem me prender a atenção e me fazer continuar a assisti-los. Shameless US não só prendeu a atenção, mas me tornou uma pessoa melhor e hoje vou tentar convencer vocês a dar uma chance a essa maravilhosa série.

Shameless é uma adaptação americana da série britânica de mesmo nome, a qual conta a história de uma grande família, que precisa lidar com os altos e baixos da atual recessão nos Estados Unidos.Com uma mãe ausente e um pai alcoólatra, a filha mais velha, Fiona, de 18 anos, precisa cuidar de seus cinco irmãos e irmãs, enquanto cada um deles passa por fases diferentes de suas vidas.

Shameless é uma série original britânica, mas que foi readaptada para o ambiente estadunidense. Os produtores resolveram acrescentar U.S no nome, para que todos pudessem identificar a diferença entre as duas séries.

                                                                       O Enredo (RESUMÃO)

Shameless conta a história de uma família completamente desajustada, que vive no subúrbio dos EUA. Fiona Gallagher é a irmã mais velha de 4 pessoas: Lip, Deb, Carl e Ian. Sozinha, ela cuida de todos eles – sendo alguns quase maiores. O pai dos irmãos é Frank, um alcoólatra irresponsável que só é encontrado em casa quando está desmaiado no chão por estar inconsciente de tanto beber.

A família passa por dificuldades constantes, sendo a falta de dinheiro a maior delas. Fiona tem que dar conta de cuida dos irmãos e, ao mesmo tempo, administrar sua própria vida, que basicamente é o trabalho.

Não quero contar mais NADA pra vocês. O restante deve ser degustado aos poucos.

                                                        Porque é uma das minhas séries favoritas

Shameless é uma série completamente crua. Cada personagem se desenvolve calmamente e você acaba gostando deles de uma maneira louca. Todos eles possuem inúmeros defeitos e o fato de você amar esses defeitos, acaba enlouquecendo-o, mas essa é a mágica de Shameless.

São TANTOS personagens maravilhosos, que fica até difícil de escolher o meu favorito. Os assuntos mais polêmicos possíveis são desenvolvidos aqui. Desde as questões de Frank com o álcool e o desleixo com os filhos, até a homossexualidade de Ian. Os produtores conseguem desenvolver todos esses aspectos perfeitamente, fazendo com que tudo fique muito coeso e realista. É fantástico!


Shameless é intitulada como série de comédia (concorre na maioria das premiações com esse gênero), mas a série, a medida que se desenvolve, vai ficando muito triste e bruta. Os personagens quase nunca dão sorte de conseguir aquilo que aspiram e reviravoltas surpreendentemente tristes são apresentadas ao espectador a cada episódio.

De tudo o que eu citei acima, o que mais me faz gostar de Shameless é a maneira como a série instiga o espectador e consegue trabalhar HUMOR X DRAMA perfeitamente. Existem cenas aqui incrivelmente fortes. Cenas que desenvolvem a depressão em seu ápice mais elevado e exploram a homofobia de uma maneira inovadora, porém essas cenas nunca são levadas tão a sério, o que dá um trom de ironia a série. O drama existe, mas é encoberto pela ironia proposital dos produtores. INCRÍVEL!


                                                                          Alguns personagens

Fiona é uma mulher esforçada, que não mede esforços para conseguir sustentar os irmãos e dar uma vida melhor a eles. Mas como ter tempo para cuidar de tantas crianças? Ela arruma! Fiona ganhou minha admiração constante por praticamente todas as temporadas que tive o prazer de assistir, mas ela acabou desandando um pouco ao longo da série, o que me entristeceu bastante… MAS, eu tinha esquecido… Ela também é humana e como tal, tem defeitos e sonhos.


Ian é um dos personagens mais enigmáticos da série e também o que mais sofre. Ele é um garoto comum, mas que sofre por ter que esconder um grande segredo. Ian é gay! Como revelar isso no lugar onde mora? Onde o machismo prevalece de todas as formas. Ian não vê problema em contar para a sua família, mas sofre com a previsível rejeição da sociedade. Mas tudo isso muda ao longo da série e esse desenvolvimento do personagem é muito interessante.


Deb é a cabeça da família. Ela é inteligente e sempre está tomando decisões inteligentes para livrar a todos de roubadas, mas como todo mundo, a personagem se perde no caminho e acaba se tornando o oposto do que era em temporadas anteriores. Talvez ela seja a personagem mais muda ao longo do tempo.


Frank! É complicado falar de Frank, pois ele é o que sustenta a série de uma determinada maneira. Ele é alcoólatra assumido e não se incomoda de usar drogas perto dos filhos. Frank só pensa em si mesmo e coloca a família em roubadas de níveis extraordinariamente inacreditáveis e acreditem quando eu digo… É impossível não gostar de Frank! Ele é tudo o que existe de mais repugnante, só que no fundo é uma boa pessoa e isso transparece em vários momentos. 


                                                                                   ASSISTA!

Não sei se consegui convencer vocês a assistir Shameless, mas acho que nessa amostra que dei de minha opinião sobre a série, pelo menos alguma pessoa se identificou e ficou com vontade de assisti-la. Dê uma chance gente! A série é incrível.

E assista logo! A 6° temporada estreia em Janeiro de 2016.

Crítica: Passarinho - Crystal Chan

12 de agosto de 2015


Páginas: 224

Autor(a): Crystal Chan

Editora: Intrínseca

Ano de Publicação: 2014

Avaliação:

Capa - 5 ESTRELAS

Diagramação - 5 ESTRELAS

Obra Completa - 4 ESTRELAS

COMPRE: AQUI


O avô de Joia parou de falar no dia em que matou o irmão dela. O menino se chamava John, e achava que tinha asas. Subia e saltava do alto de qualquer coisa, até ganhar do avô o apelido de Passarinho. Joia não teve a chance de conhecê-lo, pois Passarinho se jogou do penhasco bem no dia em que ela nasceu. Ainda assim, por muito tempo ela viveu à sombra de suas asas. Agora, aos doze anos, Joia mora em uma casa tomada por silêncio e segredos. Os pais culpam o avô pela tragédia do passado, atribuem a ele a má sorte da família. Joia tem certeza de que nunca será tão amada quanto o irmão, até que ela conhece um garoto misterioso no alto de uma árvore. Um garoto que também se chama John. O avô está convencido de que esse novo amigo é um duppy — um espírito maldoso —, mas Joia sabe que isso não é verdade. E talvez em John esteja a chave para quebrar a maldição que recaiu sobre sua família desde que Passarinho morreu.

 Passarinho foi um livro que me chamou a atenção inicialmente pela capa. Com tons lindos de azul e uma mensagem libertadora, a ilustração da capa já diz muito sobre o livro, mas não chega nem perto de disponibilizar argumentos corretos para que o leitor faça uma dedução válida sobre o enredo. O motivo? Além de complexo, o enredo de Passarinho é instável e acaba que pode ser interpretado de diversas maneiras e eu adorei isso!

                                                                                Resumo:

Por uma eventualidade do destino o irmão mais velho de Jóia, John, acabou morrendo. Ele despencou de um abismo por achar que podia voar. O avô de Jóia, depois desse dia, nunca mais se perdoou e não só isso. Ele nunca mais abriu a boca para falar! O peso da culpa, pela eventual distração o impossibilita de viver novamente. Porém, não é só isso…

Jóia tem12 anos, nasceu no dia da morte do irmão e é solitária. Solitária porque vive isolada de tudo e todos e para suprir essa solidão, ela começa a criar “amigos” em sua mente. Jóia é considerada louca no início, mas o mistério se desenrola conforme a história caminha.

Em uma de suas caminhadas a garota acaba conhecendo John, um menino negro e simpático, que forma uma bela amizade com a menina ao longo do . Juntos, os dois formarão um lindo laço de amizade e tentarão desvendar um grande mistério.

                                                                              Opinião:

Passarinho possui uma premissa, que apesar de instigante, leva o leitor a deduzir que o enredo da história é infantil ou até mesmo prolixo. Se você pensa assim, desconstrua esse pensamento agora, porque a obra de Crystal possui um enredo intrínseco e lotado de referências religiosas e falsamente tendenciosas, que podem confundir facilmente a cabeça do leitor desatento ou mais inexperiente.

Eu dividiria o livro em duas linhas: o real e o imaginário. Passarinho não é daquele tipo de história rasa, que possui respostas na superfície e não desafiam o leitor. Aqui, o que é ou não real, é proposital e estrategicamente colocado para trabalhar a mente do leitor. Jóia pode parecer louca em diversos momentos – O QUE ELA REALMENTE PODE SER -,mas seus argumentos e visões não deixam de fazer sentido. Não porque há embasamento sobre o assunto lá pro final do livro, mas sim porque tudo o que Jóia passa é um círculo e como qualquer circunferência, em algum momento, os eixos se cruzam.


O ponto mais interessante do livro é a maneira como a autora funde polos divergentes. Ela usa a religião convencional e a crença politeísta e cria um misto de melancolia e realidade inacreditáveis. Passarinho não é um livro ausente de referências bíblicas – tem muitas, aliás -,por isso considero o livro uma espécie de “homenagem” ao livro sagrado, mas com uma modificação que super deu certo.

A maneira como os personagens são desenvolvidos é o elemento mais duvidoso e excruciante do livro. O avô de Jóia possui uma das histórias mais bonitas que já li em muito tempo e o seu final é simplesmente GENIAL. Não tão condizente, mas com uma razão válida para existir, John (outro John) é um personagem que, apesar de simpático, não foi tão bem aproveitado pela autora e serviu mais como um artifício de narrativa, do que qualquer coisa. E isso me frustra bastante… Mas ok!

                                                                           Últimas 100 páginas:

O final desse livro me dividiu bastante e foi o responsável por não ter colocado-o em minha lista de favoritos.

O final é confuso! As coisas, por mais que tenham seguido uma direção mais previsível, que não teria como ser mudada facilmente, soaram forçadas e algumas explicações para eventos recorrentes não foram dadas corretamente, contendo furos. O que era flerte com a fantasia no início do livro, se tornou um relacionamento sério demais o que acabou por desconstruiu a beleza do enredo, que já estava definido até então.

Porém, não deixei de me emocionar com uma das cenas mais simplórias e singelas que já li. Infelizmente não posso contar a vocês, pois seria spoiler, mas é LINDO. Fiquei bastante balançado com a cena e comecei a refletir sobre alguns questionamentos que, até então, tinham passado despercebidos por mim. Esse elo de ligação entre o final e toda a história foi incrível, o que me sensibilizou na hora de dar a nota e fazer a crítica.

                                                                                  Edição:

Gostei muito da edição da Intrínseca. A capa é harmônica e transmite uma paz incrível ao leitor. É realmente uma capa que faz total jus ao livro. Não gostei tanto da diagramação, por achar a mesma simples demais, porém, está boa, assim como a revisão. Queria MUITO que o livro possuísse ilustrações, pois em diversos momentos a autora faz descrições belíssimas e poder enxergar mais a fundo tudo aquilo, seria incrível.

É uma edição boa, com uma capa incrível.


                                                                                Conclusão:

Passarinho é um livro emocionante, singelo, que conquista com a narrativa calma e ao mesmo tempo alarmante da autora. O flerte com a fantasia dá certo no início, mas desanda no final, o que acaba estragando um pouco o rumo da história. Mas, entre erros e acertos, as qualidades se destacam e com certeza eu indico a leitura desse drama singular.

Tag: Alice no País das Maravilhas

10 de agosto de 2015


Objetivo: Relacionar livros a personagens do mundo de Alice no País das Maravilhas.
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Alice - Um livro que te fez cair em outro mundo:
Os sete. Um livro sobre vampiros que se passa aqui no Brasil. É estranho entrar em uma estória que se passa em seu país. Geralmente, autores estrangeiros que abordam este assunto. Mas o André Vianco conseguiu surpreender-me. Apesar da nacionalidade brasileira dos personagens os vampiros têm origem Portuguesa. Isso deixou o enredo muito mais interessante. É um dos favoritos!


Chapeleiro Maluco - Um livro com protagonista doido:
Alex, do laranja mecânica. O cara mata, bate, é completamente contra a justiça e anda com roupas e pessoas esquisitas. Mas o amo e acho que ele é essencial para o mundo da literatura.


Coelho Branco - Um livro que atrasou suas leituras.
Guerra mundial Z é um livro excelente. Abre aquela pequena dúvida em sua mente: “É real, ou ficção?”. O que não me agradou muito foi o fato do livro não ter estória. Ele é basicamente um documentário de pessoas afirmando terem visto “zumbis” ou algo parecido.


Gato Risonho - Um livro que te fez rir muito
Os Goonies, tão engraçado quanto o filme. Os personagens são carismáticos e bem cômicos. É bem aquele livro para ler em um domingo a tarde ou tirar aquela ressaca literária.


Lagarta Azul - Um livro que te fez refletir:
100 dias de felicidade. È um livro agridoce que fala sobre a vida e a morte unidas em um único sentimento. Ele passa uma mensagem muito linda e o protagonista é um dos personagens mais legais que já conheci.


Tweedledum Tweedledee - Dois livros que são parecidos:
Jogos Vorazes e Battle Royale. Dizem as más línguas que Jogos Vorazes foi uma cópia de Battle Royale. Não posso afirmar se foi ou não, mas que são totalmente iguais, isso eu posso afirmar. Apesar que Batte Royale foi lançado beeeeeeeeem antes. Então… Fica a dúvida.


Rainha de Copas - Um livro cujo autor adora matar personagens:
A fúria dos reis. Qualquer livro do George. R. R. Martin se encaixa nesse item. Esse autor AMA presenciar uma morte. Acho que o prazer dele é matar, ou ele é super-revoltado e desconta nos personagens que não tem nada ver com isso! E não basta ele assassiná-los, o personagem que ele manda para o breu sempre é o meu preferido. Mas fazer o que, né?



Espero que tenham gostado ;)

Crítica: A Improvável Jornada de Harold Fry - Rachel Joyce

7 de agosto de 2015

Páginas: 248

Autor(a): Rachel Joyce

Editora: Suma de Letras

Ano de Publicação: 2012

Avaliação:

Capa - 
5 ESTRELAS

Diagramação - 
5 ESTRELAS

Obra Completa - 5 ESTRELAS + FAVORITO



COMPRE: AQUI




A improvável jornada de Harold Fry, de Rachel Joyce, tem como temas centrais os sentimentos de amor, amizade e arrependimento. A autora conta a história do aposentado Harold Fry que numa manhã de sol sai de casa para colocar uma carta no correio, sem imaginar que estava começando uma jornada não planejada até o outro lado da Inglaterra. Ao receber uma carta de Queenie Hennessy, uma velha conhecida com quem não tem contato há décadas, ele descobre que ela está em uma casa de saúde, sucumbindo ao câncer. Então, Harold Fry escreve uma resposta rápida e, deixando sua mulher com seus afazeres, vai até a caixa postal mais próxima. Ali, tem um encontro casual que o convence de que ele deve entregar sua mensagem para Queenie pessoalmente. E assim começa a peregrinação improvável de Harold Fry. Determinado a andar 600 milhas de Kingsbridge à Berwick-upon-Tweed, porque, acredita que, enquanto caminhar , Queenie Hennessy estará viva; ao longo do caminho, ele encontra personagens fascinantes, que o trazem de volta memórias adormecidas: sua primeira dança com Maureen, o dia do seu casamento, a alegria da paternidade. Todos os resquícios do passado vêm correndo de volta para ele, permitindo-lhe conciliar as perdas e os arrependimentos. 

Desde 2013 tinha vontade de ler A Improvável Jornada de Harold Fry. Após conseguir parceria com a Suma de Letras, finalmente decidi solicitar o livro e ver se era tão bom quanto diziam e apesar das altas expectativas em cima do livro, nunca pensei que a história inspiradora desse simpático senhor iria me impactar de tal forma. O livro segue um molde interessantíssimo de narrativa. Rachel Joyce desenvolve tudo o que pode e nos faz apaixonar pelos seus personagens tão complexos e humanos. ADORO quando um livro faz isso comigo!

ESSA RESENHA CONTÉM ALGUNS SPOILERS.

Resumo:

Harold Fry é um simpático senhor que leva uma vida pacata e sem pretensões futuras. Um dia sua linda – e distante – esposa Maureen, entrega uma carta para ele, cujo remetente é de Berwick-upon-Tweed, uma cidadezinha a mais de 800 km do local onde vive. Com uma intensa e incontrolável curiosidade, Harold decidi ler o conteúdo da carta e acaba levando um susto de enorme proporção.

A responsável pelo envio da carta é Queenie, uma mulher que Harold conhece muito bem. Eles tiveram uma relação muito especial no passado, mas se distanciaram e não se falavam à cerca de 20 anos. Na carta ela conta que está morrendo, devido a um tumor maligno no cérebro e se despede do querido e antigo amigo. Não acreditando no que está lendo, ele decidi refletir sobre o assunto e acaba escrevendo uma carta emocionante para Queenie. É tomada a decisão de enviar a carta pelos Correios, mas algo inesperado acaba acontecendo.

Harold está cansado e já começa a se arrepender de sua precipitada decisão. Ele está caminhando (sem quaisquer objetos ou roupas especiais) para o local onde Queenie está internada. Se chegar em 3 meses terá sorte! Em sua jornada ele passa por coisas inesquecíveis, que acabam mudando a visão que Harold tem do mundo para sempre; Convicto, ele sabe que conseguirá levar a carta pessoalmente para Queenie e se despedir corretamente da amiga, mesmo que isso coloque em risco sua relação com tudo e todos.

Mas será mesmo que Harold conseguirá caminhar mais de 800KM com seus mais de 60 anos? E Queenie, conseguirá sobreviver até lá? Sua relação já abalada com Maureen complicará ainda mais?

Opinião:

O livro começa relativamente lento e ao longo do tempo a história vai tomando forma e o enredo finalmente firma-se em algum objetivo. Harold consegue encantar o leitor já nas primeiras páginas. Mas não se engane! Sua personalidade não é de toda carismática. Com um passo cheio de mistérios e uma cabeça deturpadamente confusa, ele vai ganhando a empatia do leitor, justamente por sua fé, que é a palavra centro da história. A fé é o que move Harold em sua caminhada infinita. Não a fé em Deus ou em qualquer divindade religiosa, mas sim a fé na vida e naquilo que ela pode proporcionar.


Rachel não tem pressa ao desenvolver a trama e abusa do ritmo lento para desenvolver e explicar ao leitor o motivo que leva Harold a fazer essa loucura. E isso é o mais genial! Não tem um motivo em específico. Alguns podem me contraria dizendo: Ei, Gabriel, é claro que tem. Ele a ama! Ok, ok… Eu concordo, MAS, todos nós amamos alguém, mas não deixaremos nosso carro em casa e andaremos mais de 800km se algo do tipo acontecer com essa pessoa, né? O que move Harold é a impulsão, que é o que nos move em toda nossa vida e foi isso que a autora quis mostrar. Por tanto, não julgue esse velhinho simpático.

Sem dúvida nenhuma Harold é o personagem centro da história. Porém, os personagens que mais gostei, por mais ausentes que sejam na história, foram os andarilhos que acompanham Harold em uma determinada etapa da viagem. Eles são o que a de mais podre, real e, ao mesmo tempo, - por mais que isso possa parecer confuso – maravilhoso no ser humano. São pessoas que se deixam levar pela fama que Harold consegue, justamente por sua ação impulsiva, que antes era julgada por tudo e por todos. A autora mostra o quanto o ser humano é mesquinho e julga sem ao menos saber o que a de interessante e válido na decisão de cada um; Cada personagem que acompanhou Harold na caminhada, por mais que tenha aparecido apenas algumas páginas, teve uma grande importância para a narrativa e abriu meus olhos para a ignorância de nós, seres humanos. Me mostrou que devemos valorizar as pequenas coisas da vida e não nos deixar levar por influências ou coisas que a mídia impõe a nós.

Confesso que senti raiva de Queenie em alguns momentos. Ficava pensando se ela realmente era merecedora de todo o sacrifício de Harold e, é claro, queria saber o que, afinal, ela tinha de tão especial. E gente… Que mulher! Ela, apesar de doente, transparece suavidade e pureza no olhar, esse que foi descrito com maestria pela autora; Todas as atitudes tomadas por ela no passado refletem em seu futuro, mas sem deixar abater pelas grandes mazelas trazidas pelo tempo, a personagem se mostra rica e acaba sendo uma metáfora para o desejo e para aquilo que tanto almejamos ser/alcançar na vida. E o final da mesma… UAU! Falo mais dele no final da resenha…


Como eu disse anteriormente, as descrições de ambientes, sentimentos e passagens de tempo, deixaram o livro muito mais rico e, na minha humilde opinião, a melhor coisa de todo o livro foi a maneira como a autora trabalhou a relação de um casal que, apesar de se amar, está deixando tudo de lado e deixando-se abater pelo orgulho.

Por mais que pareca clichê, é impressionante ver o quanto os dois se amam, mas o quanto a antipatia forçada de Maureen e o desleixo sofrido de Harold, separa o casal de uma saudável e verdadeira relação conjugal. A aproximação da história dos dois, com nossa dura realidade é o toque de verossimilhança mais cru que já li há tempos. Eu sorri, suspirei, chorei e torci por esses dois e com tudo o que Rachel me mostrou, percebi que aquilo tudo realmente foi necessário e NADA poderia ter ocorrido de outra maneira. Fiquem tranquilos! O casal tem um final honesto, que apesar de dúbio, não fornece material para deduções desastrosas.

Somos frágeis e precisamos de carinho constante. É isso o que a autora quer dizer, e é o que ela espera que você pegue.

Últimas 100 páginas:

Não conseguirei definir em palavras a grandiosidade emocional que o final desse livro agrega ao leitor. É sensacional! A sensibilidade da narrativa, em seu derradeiro fim, me enche de euforia. Tudo é descrito minuciosa e rapidamente. Rachel consegue dar vida a morte e revela ao leitor uma camada de profundidade ainda não vista no decorrer da história.

Eu entendo porque o final pode desagradar alguns. Não foi o final precípuo que todos esperavam, mas sim um final cru, que delimita a capacidade humana de amar e transforma a realidade em uma torrente de tristeza. O caminho é longo e, quando finalmente se chega ao objetivo, a garantia de bom aproveitamento é inoperante e nem sempre previsível da maneira como se espera.

Edição:

Simplesmente adorei o capricho que a Suma de Letras teve com o livro. A capa é amarelada e possui características peculiares, que fazem a mesma se parecer com algum tipo de material envelhecido e maltratado pelo tempo. Justamente para fazer uma alusão a atmosfera densa e nostálgica que carrega a história em momentos de clímax. Diagramação, revisão, margem. Todos os aspectos que correspondem ao conteúdo propriamente dito estão harmônicos e belos.




Algo merece minha menção cuidadosa e um destaque especial: as imagens no começo de cada capítulo. São tão úteis, uniformes, simples e divinas, que até parecem não terem sido impressas, mas sim escritas pela autora, logo nas primeiras rascunhadas da obra. As imagens me ajudaram a visualizar coisas mais abstratas e desenvolveram um conceito válido em minha mente, que me possibilitou aproveitar ainda mais alguns componentes da história. Adorei!

Conclusão:

A Improvável Jornada de Harold Fry é um livro que transcende o seu tempo, e que com suas mensagens complexas, porém abstraídas de presunção, emociona, cativa, e leva o leitor para um estado de catatonia. Os amantes de um BOM drama irão se deliciar com a premissa proposta por Rachel e as pessoas que não são acostumadas a lerem livros tão profundos, irão se surpreender com todos os níveis periféricos de inauditismo que a história carrega em seus capítulos. Um livro que, apesar de não ser um clássico, carrega uma história tão rica e importante quanto um.


COMPREM E LEIAM, por favor!

Promoção: Blog Não Leia

3 de agosto de 2015



Como estão todos? Trago aqui uma notícia animadora:

TEM PROMOÇÃO!!!!

Para comemorar 1 ano do blog Não Leia e também para comemorar essa nova fase do blog. Que tal uma promoção básica?

Regras:

O ganhador deve residir em território brasileiro.
Caso o ganhador não responda com o endereço para envio em 48h (pelo e-mail  contato@naoleia.com ), o sorteio será refeito.
O blog não se responsabiliza por extravio ou perda pelos correios.
Caso o ganhador não siga os passos para participar, será desclassificado, sendo, então, realizado um novo sorteio.

Se o perfil do ganhador esteja bloqueado para visualização do cumprimento das regras, será desclassificado.

Sorteio vai de: 02/08 à 25/09




BOA SORTE!

Quanto mais objetivos concluir, mais chance de ganhar!

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São livros incríveis e ainda tem MUITOS MARCADORES. Não vai perder, né? Boa sorte a todos e que vença o que tem mais sorte.















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