Crítica: Passarinho - Crystal Chan


Páginas: 224

Autor(a): Crystal Chan

Editora: Intrínseca

Ano de Publicação: 2014

Avaliação:

Capa - 5 ESTRELAS

Diagramação - 5 ESTRELAS

Obra Completa - 4 ESTRELAS

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O avô de Joia parou de falar no dia em que matou o irmão dela. O menino se chamava John, e achava que tinha asas. Subia e saltava do alto de qualquer coisa, até ganhar do avô o apelido de Passarinho. Joia não teve a chance de conhecê-lo, pois Passarinho se jogou do penhasco bem no dia em que ela nasceu. Ainda assim, por muito tempo ela viveu à sombra de suas asas. Agora, aos doze anos, Joia mora em uma casa tomada por silêncio e segredos. Os pais culpam o avô pela tragédia do passado, atribuem a ele a má sorte da família. Joia tem certeza de que nunca será tão amada quanto o irmão, até que ela conhece um garoto misterioso no alto de uma árvore. Um garoto que também se chama John. O avô está convencido de que esse novo amigo é um duppy — um espírito maldoso —, mas Joia sabe que isso não é verdade. E talvez em John esteja a chave para quebrar a maldição que recaiu sobre sua família desde que Passarinho morreu.

 Passarinho foi um livro que me chamou a atenção inicialmente pela capa. Com tons lindos de azul e uma mensagem libertadora, a ilustração da capa já diz muito sobre o livro, mas não chega nem perto de disponibilizar argumentos corretos para que o leitor faça uma dedução válida sobre o enredo. O motivo? Além de complexo, o enredo de Passarinho é instável e acaba que pode ser interpretado de diversas maneiras e eu adorei isso!

                                                                                Resumo:

Por uma eventualidade do destino o irmão mais velho de Jóia, John, acabou morrendo. Ele despencou de um abismo por achar que podia voar. O avô de Jóia, depois desse dia, nunca mais se perdoou e não só isso. Ele nunca mais abriu a boca para falar! O peso da culpa, pela eventual distração o impossibilita de viver novamente. Porém, não é só isso…

Jóia tem12 anos, nasceu no dia da morte do irmão e é solitária. Solitária porque vive isolada de tudo e todos e para suprir essa solidão, ela começa a criar “amigos” em sua mente. Jóia é considerada louca no início, mas o mistério se desenrola conforme a história caminha.

Em uma de suas caminhadas a garota acaba conhecendo John, um menino negro e simpático, que forma uma bela amizade com a menina ao longo do . Juntos, os dois formarão um lindo laço de amizade e tentarão desvendar um grande mistério.

                                                                              Opinião:

Passarinho possui uma premissa, que apesar de instigante, leva o leitor a deduzir que o enredo da história é infantil ou até mesmo prolixo. Se você pensa assim, desconstrua esse pensamento agora, porque a obra de Crystal possui um enredo intrínseco e lotado de referências religiosas e falsamente tendenciosas, que podem confundir facilmente a cabeça do leitor desatento ou mais inexperiente.

Eu dividiria o livro em duas linhas: o real e o imaginário. Passarinho não é daquele tipo de história rasa, que possui respostas na superfície e não desafiam o leitor. Aqui, o que é ou não real, é proposital e estrategicamente colocado para trabalhar a mente do leitor. Jóia pode parecer louca em diversos momentos – O QUE ELA REALMENTE PODE SER -,mas seus argumentos e visões não deixam de fazer sentido. Não porque há embasamento sobre o assunto lá pro final do livro, mas sim porque tudo o que Jóia passa é um círculo e como qualquer circunferência, em algum momento, os eixos se cruzam.


O ponto mais interessante do livro é a maneira como a autora funde polos divergentes. Ela usa a religião convencional e a crença politeísta e cria um misto de melancolia e realidade inacreditáveis. Passarinho não é um livro ausente de referências bíblicas – tem muitas, aliás -,por isso considero o livro uma espécie de “homenagem” ao livro sagrado, mas com uma modificação que super deu certo.

A maneira como os personagens são desenvolvidos é o elemento mais duvidoso e excruciante do livro. O avô de Jóia possui uma das histórias mais bonitas que já li em muito tempo e o seu final é simplesmente GENIAL. Não tão condizente, mas com uma razão válida para existir, John (outro John) é um personagem que, apesar de simpático, não foi tão bem aproveitado pela autora e serviu mais como um artifício de narrativa, do que qualquer coisa. E isso me frustra bastante… Mas ok!

                                                                           Últimas 100 páginas:

O final desse livro me dividiu bastante e foi o responsável por não ter colocado-o em minha lista de favoritos.

O final é confuso! As coisas, por mais que tenham seguido uma direção mais previsível, que não teria como ser mudada facilmente, soaram forçadas e algumas explicações para eventos recorrentes não foram dadas corretamente, contendo furos. O que era flerte com a fantasia no início do livro, se tornou um relacionamento sério demais o que acabou por desconstruiu a beleza do enredo, que já estava definido até então.

Porém, não deixei de me emocionar com uma das cenas mais simplórias e singelas que já li. Infelizmente não posso contar a vocês, pois seria spoiler, mas é LINDO. Fiquei bastante balançado com a cena e comecei a refletir sobre alguns questionamentos que, até então, tinham passado despercebidos por mim. Esse elo de ligação entre o final e toda a história foi incrível, o que me sensibilizou na hora de dar a nota e fazer a crítica.

                                                                                  Edição:

Gostei muito da edição da Intrínseca. A capa é harmônica e transmite uma paz incrível ao leitor. É realmente uma capa que faz total jus ao livro. Não gostei tanto da diagramação, por achar a mesma simples demais, porém, está boa, assim como a revisão. Queria MUITO que o livro possuísse ilustrações, pois em diversos momentos a autora faz descrições belíssimas e poder enxergar mais a fundo tudo aquilo, seria incrível.

É uma edição boa, com uma capa incrível.


                                                                                Conclusão:

Passarinho é um livro emocionante, singelo, que conquista com a narrativa calma e ao mesmo tempo alarmante da autora. O flerte com a fantasia dá certo no início, mas desanda no final, o que acaba estragando um pouco o rumo da história. Mas, entre erros e acertos, as qualidades se destacam e com certeza eu indico a leitura desse drama singular.

Um comentário:

  1. Pensava exatamente do modo que disse, mas depois de ler o post fiquei até curiosa. Não da pra julgar sem ler né? Seguindo.
    Abraços!
    http://borboletasdegelo.blogspot.com.br/

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Heey!

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