Crítica: A Improvável Jornada de Harold Fry - Rachel Joyce

Páginas: 248

Autor(a): Rachel Joyce

Editora: Suma de Letras

Ano de Publicação: 2012

Avaliação:

Capa - 
5 ESTRELAS

Diagramação - 
5 ESTRELAS

Obra Completa - 5 ESTRELAS + FAVORITO



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A improvável jornada de Harold Fry, de Rachel Joyce, tem como temas centrais os sentimentos de amor, amizade e arrependimento. A autora conta a história do aposentado Harold Fry que numa manhã de sol sai de casa para colocar uma carta no correio, sem imaginar que estava começando uma jornada não planejada até o outro lado da Inglaterra. Ao receber uma carta de Queenie Hennessy, uma velha conhecida com quem não tem contato há décadas, ele descobre que ela está em uma casa de saúde, sucumbindo ao câncer. Então, Harold Fry escreve uma resposta rápida e, deixando sua mulher com seus afazeres, vai até a caixa postal mais próxima. Ali, tem um encontro casual que o convence de que ele deve entregar sua mensagem para Queenie pessoalmente. E assim começa a peregrinação improvável de Harold Fry. Determinado a andar 600 milhas de Kingsbridge à Berwick-upon-Tweed, porque, acredita que, enquanto caminhar , Queenie Hennessy estará viva; ao longo do caminho, ele encontra personagens fascinantes, que o trazem de volta memórias adormecidas: sua primeira dança com Maureen, o dia do seu casamento, a alegria da paternidade. Todos os resquícios do passado vêm correndo de volta para ele, permitindo-lhe conciliar as perdas e os arrependimentos. 

Desde 2013 tinha vontade de ler A Improvável Jornada de Harold Fry. Após conseguir parceria com a Suma de Letras, finalmente decidi solicitar o livro e ver se era tão bom quanto diziam e apesar das altas expectativas em cima do livro, nunca pensei que a história inspiradora desse simpático senhor iria me impactar de tal forma. O livro segue um molde interessantíssimo de narrativa. Rachel Joyce desenvolve tudo o que pode e nos faz apaixonar pelos seus personagens tão complexos e humanos. ADORO quando um livro faz isso comigo!

ESSA RESENHA CONTÉM ALGUNS SPOILERS.

Resumo:

Harold Fry é um simpático senhor que leva uma vida pacata e sem pretensões futuras. Um dia sua linda – e distante – esposa Maureen, entrega uma carta para ele, cujo remetente é de Berwick-upon-Tweed, uma cidadezinha a mais de 800 km do local onde vive. Com uma intensa e incontrolável curiosidade, Harold decidi ler o conteúdo da carta e acaba levando um susto de enorme proporção.

A responsável pelo envio da carta é Queenie, uma mulher que Harold conhece muito bem. Eles tiveram uma relação muito especial no passado, mas se distanciaram e não se falavam à cerca de 20 anos. Na carta ela conta que está morrendo, devido a um tumor maligno no cérebro e se despede do querido e antigo amigo. Não acreditando no que está lendo, ele decidi refletir sobre o assunto e acaba escrevendo uma carta emocionante para Queenie. É tomada a decisão de enviar a carta pelos Correios, mas algo inesperado acaba acontecendo.

Harold está cansado e já começa a se arrepender de sua precipitada decisão. Ele está caminhando (sem quaisquer objetos ou roupas especiais) para o local onde Queenie está internada. Se chegar em 3 meses terá sorte! Em sua jornada ele passa por coisas inesquecíveis, que acabam mudando a visão que Harold tem do mundo para sempre; Convicto, ele sabe que conseguirá levar a carta pessoalmente para Queenie e se despedir corretamente da amiga, mesmo que isso coloque em risco sua relação com tudo e todos.

Mas será mesmo que Harold conseguirá caminhar mais de 800KM com seus mais de 60 anos? E Queenie, conseguirá sobreviver até lá? Sua relação já abalada com Maureen complicará ainda mais?

Opinião:

O livro começa relativamente lento e ao longo do tempo a história vai tomando forma e o enredo finalmente firma-se em algum objetivo. Harold consegue encantar o leitor já nas primeiras páginas. Mas não se engane! Sua personalidade não é de toda carismática. Com um passo cheio de mistérios e uma cabeça deturpadamente confusa, ele vai ganhando a empatia do leitor, justamente por sua fé, que é a palavra centro da história. A fé é o que move Harold em sua caminhada infinita. Não a fé em Deus ou em qualquer divindade religiosa, mas sim a fé na vida e naquilo que ela pode proporcionar.


Rachel não tem pressa ao desenvolver a trama e abusa do ritmo lento para desenvolver e explicar ao leitor o motivo que leva Harold a fazer essa loucura. E isso é o mais genial! Não tem um motivo em específico. Alguns podem me contraria dizendo: Ei, Gabriel, é claro que tem. Ele a ama! Ok, ok… Eu concordo, MAS, todos nós amamos alguém, mas não deixaremos nosso carro em casa e andaremos mais de 800km se algo do tipo acontecer com essa pessoa, né? O que move Harold é a impulsão, que é o que nos move em toda nossa vida e foi isso que a autora quis mostrar. Por tanto, não julgue esse velhinho simpático.

Sem dúvida nenhuma Harold é o personagem centro da história. Porém, os personagens que mais gostei, por mais ausentes que sejam na história, foram os andarilhos que acompanham Harold em uma determinada etapa da viagem. Eles são o que a de mais podre, real e, ao mesmo tempo, - por mais que isso possa parecer confuso – maravilhoso no ser humano. São pessoas que se deixam levar pela fama que Harold consegue, justamente por sua ação impulsiva, que antes era julgada por tudo e por todos. A autora mostra o quanto o ser humano é mesquinho e julga sem ao menos saber o que a de interessante e válido na decisão de cada um; Cada personagem que acompanhou Harold na caminhada, por mais que tenha aparecido apenas algumas páginas, teve uma grande importância para a narrativa e abriu meus olhos para a ignorância de nós, seres humanos. Me mostrou que devemos valorizar as pequenas coisas da vida e não nos deixar levar por influências ou coisas que a mídia impõe a nós.

Confesso que senti raiva de Queenie em alguns momentos. Ficava pensando se ela realmente era merecedora de todo o sacrifício de Harold e, é claro, queria saber o que, afinal, ela tinha de tão especial. E gente… Que mulher! Ela, apesar de doente, transparece suavidade e pureza no olhar, esse que foi descrito com maestria pela autora; Todas as atitudes tomadas por ela no passado refletem em seu futuro, mas sem deixar abater pelas grandes mazelas trazidas pelo tempo, a personagem se mostra rica e acaba sendo uma metáfora para o desejo e para aquilo que tanto almejamos ser/alcançar na vida. E o final da mesma… UAU! Falo mais dele no final da resenha…


Como eu disse anteriormente, as descrições de ambientes, sentimentos e passagens de tempo, deixaram o livro muito mais rico e, na minha humilde opinião, a melhor coisa de todo o livro foi a maneira como a autora trabalhou a relação de um casal que, apesar de se amar, está deixando tudo de lado e deixando-se abater pelo orgulho.

Por mais que pareca clichê, é impressionante ver o quanto os dois se amam, mas o quanto a antipatia forçada de Maureen e o desleixo sofrido de Harold, separa o casal de uma saudável e verdadeira relação conjugal. A aproximação da história dos dois, com nossa dura realidade é o toque de verossimilhança mais cru que já li há tempos. Eu sorri, suspirei, chorei e torci por esses dois e com tudo o que Rachel me mostrou, percebi que aquilo tudo realmente foi necessário e NADA poderia ter ocorrido de outra maneira. Fiquem tranquilos! O casal tem um final honesto, que apesar de dúbio, não fornece material para deduções desastrosas.

Somos frágeis e precisamos de carinho constante. É isso o que a autora quer dizer, e é o que ela espera que você pegue.

Últimas 100 páginas:

Não conseguirei definir em palavras a grandiosidade emocional que o final desse livro agrega ao leitor. É sensacional! A sensibilidade da narrativa, em seu derradeiro fim, me enche de euforia. Tudo é descrito minuciosa e rapidamente. Rachel consegue dar vida a morte e revela ao leitor uma camada de profundidade ainda não vista no decorrer da história.

Eu entendo porque o final pode desagradar alguns. Não foi o final precípuo que todos esperavam, mas sim um final cru, que delimita a capacidade humana de amar e transforma a realidade em uma torrente de tristeza. O caminho é longo e, quando finalmente se chega ao objetivo, a garantia de bom aproveitamento é inoperante e nem sempre previsível da maneira como se espera.

Edição:

Simplesmente adorei o capricho que a Suma de Letras teve com o livro. A capa é amarelada e possui características peculiares, que fazem a mesma se parecer com algum tipo de material envelhecido e maltratado pelo tempo. Justamente para fazer uma alusão a atmosfera densa e nostálgica que carrega a história em momentos de clímax. Diagramação, revisão, margem. Todos os aspectos que correspondem ao conteúdo propriamente dito estão harmônicos e belos.




Algo merece minha menção cuidadosa e um destaque especial: as imagens no começo de cada capítulo. São tão úteis, uniformes, simples e divinas, que até parecem não terem sido impressas, mas sim escritas pela autora, logo nas primeiras rascunhadas da obra. As imagens me ajudaram a visualizar coisas mais abstratas e desenvolveram um conceito válido em minha mente, que me possibilitou aproveitar ainda mais alguns componentes da história. Adorei!

Conclusão:

A Improvável Jornada de Harold Fry é um livro que transcende o seu tempo, e que com suas mensagens complexas, porém abstraídas de presunção, emociona, cativa, e leva o leitor para um estado de catatonia. Os amantes de um BOM drama irão se deliciar com a premissa proposta por Rachel e as pessoas que não são acostumadas a lerem livros tão profundos, irão se surpreender com todos os níveis periféricos de inauditismo que a história carrega em seus capítulos. Um livro que, apesar de não ser um clássico, carrega uma história tão rica e importante quanto um.


COMPREM E LEIAM, por favor!

2 comentários:

  1. Cara, eu nunca leria esse livro lendo a sinopse, uma cara velho decide encontrar a amiga doente andando 800km. Isso não tem sentido, ela pode morrer, pega um ônibus ou um avião! Rs Mas vc parece realmente ter gostado do livro, fiquei até curiosa. Rs
    sigolendo.com.br

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    Respostas
    1. Muito bom este livro, não vai se arrepender.

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Heey!

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