Resenha: Como Falar Com Um Viúvo - Jonathan Tropper

Heey guys! Tranquilo? Eu adoro ser surpreendido e hoje vou falar sobre um livro que me pegou de jeito. Por mais que o título seja mórbido e a capa relativamente desanimadora, posso garantir a vocês: ESSE LIVRO É INCRÍVEL! Olha só a resenha:
Título: Como Falar Com Um Viúvo
Título Original: How To Talk To a Widower
Páginas: 272
Autor(a): Jonathan Tropper
Editora: Sextante
Ano de Publicação: 2007

Avaliação:

Capa: 4/5
Diagramação: 5/5

Obra Completa: 5/5 (FAVORITO)

Doug Parker não foi um aluno brilhante, não conseguiu entrar para nenhuma universidade de prestígio e era demitido dos empregos de redator com relativa frequência, até conhecer Hailey, bonita, inteligente e cerca de 10 anos mais velha que ele. Quando os dois se casam, Doug deixa para trás a descompromissada vida de solteiro e se dedica a esse amor, acreditando finalmente ter encontrado seu rumo. Mas, dois anos depois, Hailey morre em um acidente de avião e tudo perde o sentido. Tentando lidar com o luto, Doug passa a escrever uma coluna chamada "Como falar com um viúvo", em que desabafa sua dor, relata a dificuldade de expressar seus sentimentos e se lembra da esposa de maneira sincera e cativante. A coluna se torna um grande sucesso - algo com que ele sempre sonhou - só que, infelizmente, no momento errado. Em meio a seu drama, Doug se vê às voltas com o enteado rebelde e a irmã gêmea que se mudou para sua casa decidida a fazê-lo voltar a se relacionar com outras mulheres. E então nada mais é como antes: sua vida passa a se desenrolar em uma divertida sucessão de encontros desventurados e insólitas confusões familiares. Entre tropeços, atropelos e as mais loucas situações, Doug começa a tocar sua vida e seguir em frente.

RESUMO

Doug é a mais nova vítima da depressão. Motivo? Ele agora é viúvo! O jovem rapaz perdeu Hailey recentemente e ainda não sabe como lidar com a morte de sua amada esposa. Ele se isola de tudo e de todos. Para “vingar” a morte de sua mulher, ele escreve artigos em um jornal famoso. Doug é premiado e incrivelmente requisitado como escritor, mas não se importa em outras coisas, a não ser com seus artigos em homenagem a mulher.

O problema, é que a morte de sua mulher foi apenas uma amostra de tudo de ruim que está acontecendo em sua vida. Seu pai sofreu um AVC recentemente e, por isso, está debilitado e mal lembra do próprio filho e sua mãe está se deixando levar pelo stress e pela emoção (sim, está endoidando também). E o pior de tudo, Doug tem de aguentar seu enteado teimoso e motivo de preocupação constante. 

O que fazer agora? Ele irá aguentar?
OPINIÃO

Não gosto de subestimar ou menosprezar qualquer coisa sem antes ter contato com a mesma, porém, devo confessar que isso aconteceu comigo em relação a este livro. O preço (ridiculamente barato) e a capa não tão chamativa me desanimaram um pouco, mas a história emocionante e a escrita deliciosa de Jonathan Tropper levaram esse livro direto para a lista dos meus favoritos. É meus amigos... O mundo gira!

Como Salvar Um Viúvo tem um nome meio "boring" e uma capa não tão chamativa, mas seu conteúdo é fantástico. O livro já começa com uma cena super interessante que apresenta ao leitor a relação de Russ e Doug. Doug é padrasto de Russ e, apesar das brigas e da teimosia e despreocupação de Russ, eles se dão bem. Achei linda a maneira como essa relação se desenvolveu ao longo da leitura. E, o mais legal, é que um cara depressivo aconselha um adolescente revoltado como Russ. Ironias, ironias…

"Mais dia, menos dias, a vida joga todos no chão. Depois nos levantamos de novo e fazemos algumas mudanças, porque é assim que somos. Nós nos adaptamos. E, quando conseguimos nos adaptar, ficamos mais preparados para sobreviver”.

Além da trama principal extremamente bem construída o autor nos brinda com alguns artigos fúnebres do personagem principal que são simplesmente, FABULOSOS! Doug escreve melancolicamente e com um toque refinado de poesia. A maneira como lamenta a morte de sua esposa, contextualizando-a ao seu dia a dia é sensacional. Confesso que ficava ansioso a cada passada de páginas para ler um novo artigo do personagem.
O que mais me chamou a atenção na narrativa de Tropper – além de sua sagacidade – foi o modo como ele trabalha os clichês. O enredo do livro tem tudo para se tornar algo 'Sessão da Tarde”, mas o autor inova e transforma elementos comuns em algo totalmente diferente. Fiquei admirado com tamanho tato e talento do autor.
Perdi alguma coisa quando Hailey morreu. Não sei direito como chamar isso, mas trata-se do mecanismo que nos impede de dizer a verdade quando alguém nos pergunta como estamos, aquela válvula vital que mantém as nossas emoções mais profundas e genuínas debaixo de tranca e cadeado. Não sei exatamente quando perdi essa capacidade, ou como poderei recuperá-la, mas por enquanto, no que diz respeito a tato, civilidade e descrição, sou um acidente prestes a acontecer, vez após vez.”.
Vocês conhecem o “dramédia”? Fãs de séries/livros/filmes do mundo inteiro imploram para a criação deste gênero. Basicamente, o dramédia é a mistura de drama com comédia. As séries e livros atuais são, quase todas, recheadas desse elemento e com esse livro não foi diferente. O autor conseguiu unir essas coisas perfeitamente e transformou seu livro em uma aula de como construiu boas narrativas. 
O fato do pai de Doug ter alzeimer só aumentou ainda mais meu amor pelo o autor. Ele consegue desenvolver a doença do pai de Doug perfeitamente e faz com que o leitor se apegue ao personagem de uma maneira nunca antes presenciada por mim. No final me peguei torcendo loucamente pelo personagem e chorando por seu final (que não é necessariamente triste).
O céu está me sacaneando. Hoje é um daqueles dias irritantemente perfeitos de primavera, o tipo de dia que parece estar se esforçando um pouco demais, e que desperta em nós uma vontade de lhe esmurrar a cara. O céu está mais azul do que tem direito a ser, falando sério, é um azul ostensivo, despótico, um azul que faz você sentir que estará cometendo um crime contra a humanidade se ficar em casa.” 
Não gostei tanto da edição da Sextante. O livro poderia ter sido melhor revisado e o material das folhas é decepcionante. Apesar de mal revisada, a diagramação, falando-se de organização, está boa, mas suas grandes falhas ofuscam o lado positivo. Fico bem triste em saber que um livro tão bom foi tratado de qualquer jeito.
Como Falar com um Viúvo foi uma das maiores surpresas do ano até agora. O livro é sensível, engraçado, atrevido, polêmico e extremamente bem escrito. Vou correndo ler o outro livro do autor, que foi publicado no Brasil e logo mais trago resenha do mesmo para vocês, até lá, LEIAM esse livro. É perfeito!
Até logo! 

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