Resenha: Quarto - Emma Donoghue

23 de março de 2015


Heey povo. Tranquilo? Hoje a resenha é de um livro deverás polêmico e também não tão conhecido, mas que tem muito a oferecer e mostrar ao leitor. E, além disso, vai virar filme. Acompanhe-me!

Título: Quarto 
Título Original: Room
Páginas: 350
Autor(a): Emma Donoghue
Editora: Verus
Gênero: Drama
Ano de Publicação: 2011

Avaliação:

Capa: 4/5
Diagramação: 4/5
Obra Completa: 3,5/5

CONTEM PEQUENOS SPOILERS





Para Jack, um esperto menino de 5 anos, o quarto é o único mundo que conhece. É onde ele nasceu e cresceu, e onde vive com sua mãe, enquanto eles aprendem, lêem, comem, dormem e brincam. À noite, sua mãe o fecha em segurança no guarda-roupa, onde ele deve estar dormindo quando o velho Nick vem visitá-la. O quarto é a casa de Jack, mas, para sua mãe, é a prisão onde o velho Nick a mantém há sete anos. Com determinação, criatividade e um imenso amor maternal, a mãe criou ali uma vida para Jack. Mas ela sabe que isso não é suficiente, para nenhum dos dois. Então, ela elabora um ousado plano de fuga, que conta com a bravura de seu filho e com uma boa dose de sorte. O que ela não percebe, porém, é como está despreparada para fazer o plano funcionar.



RESUMO
Jack é um garoto inocente como qualquer outro, porém ele realmente não sabe de absolutamente NADA. O motivo? Jack tem cinco anos e nunca saiu do Quarto. Sim, jamais teve contato com o mundo exterior. O garoto vive com sua mãe – que o livro todo só é chamada de mãe – e ambos estão ali, pois a mãe de Jack foi sequestrada quando era mais nova e desde então está sendo mantida em cativeiro.

A vida de Jack é boa, mas o garoto é curioso e anseia cada dia mais para descobrir o que está do lado de fora. Sua mãe prefere não contar a ele, até porque o garoto custa acreditar e muito menos entender o que a mesma tenta dizer a ele. Tudo está muito bom, até porque todo domingo o “Velho Nick” – seu sequestrador – traz tudo o que ele precisa.

Cansada dessa situação e desesperada pela liberdade, a mãe de Jack elabora um plano para escapar daquele cativeiro. Plano esse completamente arriscado e fora dos padrões. Será que irão conseguir realizá-lo? E a vida lá fora? Irão se adaptar ou não?
OPINIÃO
Quarto possui uma premissa instigante e chama a atenção de cara. Assim que coloquei as mãos no livro já adentrei no mundo criado por Emma Donoghue. Minha curiosidade alcançava níveis estratosféricos e o medo de uma decepção futura era grande.  Depois da leitura, posso dizer que Quarto é: memorável, cansativo, revoltante e cinematográfico.

Quarto é narrado em 1° pessoa por Jack, uma criança de apenas 5 anos. Isso na mão de uma pessoa sem talento poderia ter sido um desastre, mas Donoghue provou que talento ela tem de sobra e deu um show na caracterização da narrativa. Jack é incrível! Sua ingenuidade e sua pureza são admiráveis e completamente verossímeis ao contexto do livro. O amadurecimento do personagem, à medida que a narrativa vai se desenvolvendo e, obviamente, ficando mais obscura, é assustadoramente bem planejado. Esse é o tipo de livro que você sabe que demorou muito tempo para ser finalizado. E, por mais que o início seja um pouco arrastado e que o leitor demore ambientar-se em tudo aquilo, com certeza vale a pena a experiência.

"O Lá Fora tem tudo. Agora, toda vez que eu penso numa coisa, como esquis ou fogos de artifícios ou ilhas ou elevadores ou ioiôs, tenho que lembrar que eles são reais, acontecem todos juntos de verdade no Lá Fora. Isso deixa minha cabeça cansada. E as pessoas também, bombeiros, professores, ladrões, bebês, santos, jogadores de futebol e gente de todo tipo, eles todos estão mesmo no Lá Fora. Mas eu não estou lá, eu e a Mãe, nós somos os únicos que não estão lá. Será que ainda somos reais?"

Em um livro com a temática de Quarto, já é pressuposto e até esperado pelo leitor um “serial killer” ou um sequestrador impiedoso por trás de tudo. E realmente, há sim um sequestrador e ele é citado, mas em NENHUMA parte nós somos diretamente apresentados a ele e suas atrocidades. Achei esse fator determinante e imprescindível para avaliar o livro. Foi genial deixar o sequestrador de lado e mostrar ao leitor que a tangente não  é importante e sim o rumo que Jack e sua mãe irão escolher daqui pra frente. Não basta ter um narrador criança para se suavizar e conduzir uma narrativa tranquilamente, também é necessário experiência e avidez.

É estranho dizer isto, mas houve diversos momentos no livro que eu dei altas gargalhadas. E não, não tinha graça nenhuma. A autora consegue fazer o leitor rir da desgraça alheia e coloca Jack em cada situação... Meu deus! Porém, é interessante ver como nossa conexão com o personagem é criada e isso mostra, mais uma vez, o modo como à narrativa foi bem construída. Mas ai, a partir do momento em que o ambiente inicial é abandonado, a narrativa perdeu-se severamente.

"- Por que a nota de cinco é mais grandona que a de dez, se ela é de cinco?
- É assim que é.
Até a de um centavo é maior que a de dez, acho que o assim que é é burro."

O 1° ato após um acontecimento – divisor de águas na narrativa – é incrível. O modo como à autora descreveu tudo na visão de Jack é espetacular. Uma tensão esmagadora é aplicada sobre o leitor. Eu fiquei com dificuldade para respirar ao longo do decorrer da cena, e isso meus amigos, deve ser valorizado e ressaltado. Ela fez com que um hidrante parece-se incrível e ameaçador ao mesmo tempo. UM HIDRANTE! A lição de que o desconhecido pode ser perigoso é amplamente aplicada na situação e ao decorrer da mesma é possível perceber como o psicológico de Jack é despreparado para tudo aquilo. É cruel, mas genial! 

Até entanto, a figura da mãe era vista de maneira superficial, mas após um acontecimento X, o foco é todo redirecionado para ela e seus sentimentos. Foi aí que a autora pecou! A mãe de Jack foi incrivelmente egoísta e suas atitudes não fizeram sentido algum. Depois de passar por inúmeras dificuldades e adventos, quando ela finalmente consegue algo bom, faz – com o perdão da palavra – uma merda tão grande, que desamina quem lê facilmente. Odiei esse lado da mãe de Jack e, infelizmente, não foi só isso.

"... ele é como um recém-nascido em muitos aspectos, apesar da aceleração notável no desenvolvimento numérico e da leitura e escrita -ele estava dizendo à Mãe. Escutei com muita atenção, porque o ele era eu - Além das questões de imunidade, é provável que haja desafios, vejamos, nas áreas de adaptação social, é óbvio, de modulação sensorial, que consiste em filtrar e selecionar todos os estímulos com que ele é bombardeado, além de dificuldades com percepção espacial..."

Tudo bem, eu sei que a autora quis explorar as descobertas de Jack e o modo como tudo era incrível para ele, mas o livro começou a ficar monótono a partir deste momento. Talvez, Donoghue tenha esquecido, de que o que era incrível para Jack, era extremamente comum e sem importância para nós. Então, ela deveria ter medido as doses de “descobertas” e ter puxado mais o lado moral da coisa, mas fez o inverso. Isso quebrou o ritmo do livro. A narrativa, antes moldada magistralmente, começou a se quebrar por pequenos descuidos. 

Depois de tudo desenvolvido e já familiar ao leitor, chegou o momento mais tenso do livro. O final! Eu confesso que esperava um pouco mais do final, porém eu gostei do mesmo e não posso dizer que faria diferente, pois é verossímil e nem sempre a verossimilhança agrada-nos. Não é mesmo? Talvez, alguns diálogos e um estudo maior em cima de tudo aquilo tivesse me conquistado mais, porém, eu aceito tudo o que li.

"No Quarto, eu e a Mãe tínhamos tempo pra tudo. Acho que o tempo é espalhado muito fino em cima do mundo todo, feito manteiga, nas ruas e nas casas e nas pracinhas e nas lojas, por isso só tem um tiquinho de tempo espalhado em cada lugar, e aí todo mundo tem que correr pro pedaço seguinte."

O ponto mais alto do livro, sem dúvida, foi à metáfora produzida pela autora em cima da figura enigmática do Quarto. O leitor mais atento perceberá, ao longo do tempo, o que tudo aquilo na verdade significa e verá que o personagem principal da história, não é Jack, é o Quarto! A filosofia aplicada nesse contexto foi mesmo magnífica e rendeu muita discussão minha com meus amigos – que também leram o livro -. Foi ótimo!

Gostei bastante da edição desenvolvida pela Verus. A capa é simplista e consegue registrar bem o Quarto descrito no livro, pois a grandeza está nos olhos de quem vê. Ou será que não? Diagramação estava boa, porém fiquei chateado com alguns erros que encontrei durante a leitura. Poderiam ter sido evitados com uma revisão mais minuciosa, mas meu livro é a 1° edição. Espero que tenham consertado isto! Em suma, uma boa edição.

"- Eles vendem homens e mulheres e crianças ali - eu disse.
- O quê? - ela virou pra trás - Ah, não, olhe, é uma loja de roupas, então quando diz Homens, Mulheres, Crianças, significa apenas roupas para todas essas pessoas." 

Quarto é um livro profundo e que merece ser lido e estudado pelos leitores mais experientes, e, é claro, merece ser lido por todo mundo. Possui defeitos graves e a falta de ritmo desanima o leitor em diversas partes, mas a grandiosidade de Jack e de todo o seu “mundinho” vencem os obstáculos no final. E essa é a mensagem deixada pela autora. Esperança! Eu recomendo sim Quarto. Leia e veja você mesmo a grandiosidade da simplicidade. 

6 comentários:

  1. Ainda não conhecia esse livro, mas me interessei logo de caras. O assunto é bem diferente dos que estou acostumada a ler. Não gostei muito de saber que é narrado em primeira pessoa pelo garoto. Geralmente livros assim prefiro que seja em terceira pessoa. Mas quem sabe eu leia, pois me interessei bastante.

    Blog Prefácio

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  2. Parabéns pela resenha Gabriel! Já li Quarto e curti bastante. Abraço!

    www.newsnessa.com

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  3. Que coincidência, fiz resenha deste mesmo livro recentemente, adorei a sua, muito bom esse livro neh? Eu adorei e realmente não é muito conhecido, estou ansiosa pelo filme!
    Comenta lá tbm:

    http://dailyofbooks.blogspot.com.br/2015/03/resenha-quarto-emma-donoghue.html#comment-form

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  4. Oi Gabriel...
    Tenho visto resenhas desse livro ultimamente. Eu já ouvi falar da falta de ritmo deste livro, mas também ouvi muitos elogios.
    Acho que leria o livro.

    livrosvamosdevoralos.blogspot.com.br

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  5. Ei Gabriel, tudo ok?
    Sei das expectativas que você tinha com esse livro, fico feliz que apesar da falta de ritmo você tenha gostado.
    Abraço (u.u)!
    http://meumundoempaginasfz.blogspot.com.br/2015/03/resenha-2-o-teste-joelle-charbonneau_23.html

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  6. Bela resenha. Vi o filme primeiro e agora peguei o livro... o filme é fantástico e como o roteiro é assinado pela própria autora, acredito que o livro será incrível...
    Parabéns pelo site!
    PS.: apenas uma revisão: "concertado" é com "s".

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Heey!

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