Não gosto de livros que tentam ensinar, diz autora de 'Gossip girl'

18 de agosto de 2012


Cecily von Ziegesar, 42, nasceu e se criou em Nova York num círculo privilegiado, estudou num colégio particular. Quando adulta, tornou-se autora best-sellerprecisamente por escrever uma série de livros sobre adolescentes ricas que estudam num colégio particular. Em Nova York. E, assim, desde a publicação do primeiro volume de “Gossip girl” (2002), Cecily teve de se habituar à inevitável questão: “O que você escreve é material exclusivamente autobiográfico?”.
A pergunta tornou-se mais frequente quando as histórias foram vertidas para a TV, a partir de 2007, num seriado homônimo estrelado por Blake Lively e Leighton Meester. Há mais de dez livros com a marca “Gossip girl” – segundo a editora Record, já foram vendidos no Brasil 350 mil exemplares ao todo. O último capítulo (até aqui) é o incomum “Gossip girl: Psycho killer”, que está sendo lançado. Em entrevista ao G1por telefone, Cecily concorda que, enfim, talvez passem agora acreditar em sua resposta – sempre foi “Não!”. “Eu nunca matei ninguém!”, conta ela, 
Ela diz isso porque “Psycho killer” propõe uma espécie de releitura do primeiro “Gossip girl”. São os mesmos personagens de sempre, na mesma Nova York de sempre, com o mesmo dinheiro de sempre – mas agora com um substancial acréscimo de violência e sangue.
A ideia de Cecily aqui é provocar repulsa e fazer humor. Durante a conversa, ela própria ri o tempo todo. Também afirmou não gostar de livros sentimentais ou que tentam "ensinar algo" e das séries “Sex and the city” e “Girls”.  A escritora – que participa neste sábado (11) de um debate na 22ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo – acha que essas suas opiniões podem lhe causar problemas. Veja, a seguir, os principais trechos:
G1 – Você já reclamou de ter sempre que explicar que os livros da série “Gossip firl” não são autobiográficos. Agora, depois de “Gossip girl: Psycho killer”, a explicação deixou de ser necessária, não é?
Cecily von Ziegesar –
 Verdade, eu nunca matei ninguém (risos)! Todos os outros livros são parte de minhas experiências: cresci em Manhattan, estudei numa escola particular. Mas eu realmente não queria ter vivido a mesma vida dos personagens de “Gossip girl”. Felizmente, as pessoas que leem “Psycho killer” entendem que é uma comédia, com humor negro, e não levam muito a sério. Existe algo de muito atraente em sentir medo de uma adolescente riquinha(risos).
Na verdade, estou mais interessada em tentar convencer o leitor de que uma pessoa normal pode ser levada a ultrapassar o próprio limite e matar alguém. E eu não tenho aquele interesse todo pelo que é sobrenatural, mas, sim, em ver pessoas enlouquecendo."
Cecily von Ziegesar, escritora
G1 – É verdade que você, antes de escrever “Psycho killer”, estabeleceu uma regra para a editora – “Nada de zumbis, nada de vampiros”? Por que fez isso?
Cecily –
 Só porque achei que todo mundo estava usando esse tipo de personagem, que tem muito vampiro e muito zumbi por aí(risos). Na verdade, estou mais interessada em tentar convencer o leitor de que uma pessoa normal pode ser levada a ultrapassar o próprio limite e matar alguém. E eu não tenho aquele interesse todo pelo que é sobrenatural, mas, sim, em ver pessoas enlouquecendo.
 – Como você fez para evitar a violência gratuita no livro?
Cecily –
 Bem, de certa maneira, você poderia dizer que aquilo tudo é gratuito. Quero que as pessoas leiam e digam: “Oh, meu Deus, que desagradável” (risos). Quero estimular a imaginação do leitor. Acho que, numa comédia, é meio estranho perguntar se o material é gratuito ou não – porque é claro que tudo aquilo é gratuito (risos). Mas entendo que algumas pessoas se sintam enjoadas ou um pouco nervosas. Uma coisa que eu não quis fazer foi inserir armas de fogo. Só um monte de facas (risos).
 – Você já disse que sua mãe, quando pegou “Psycho killer” para ler, comentou: “Não sei o quão confortável me sinto diante de toda essa gente morrendo”. Mas depois ela acabou gostando. E o que ela achou dos livros, digamos, normais de “Gossip girl”?
Cecily –
 Logo que terminou de ler o primeiro de todos, ela disse: “Não consigo acreditar que você fazia tudo aquilo nos tempos de colégio! Eu não fazia ideia...”. Aí, tive de garantir novamente que era tudo ficção (risos). Ela estava achando que eu havia escondido muita coisa.


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