Crítica: A Criatura de Laura Bergallo

Páginas: 122

Autor(a): Laura Bergallo

Editora: Escrita Fina

Ano de Publicação: 2016

Avaliação:

Capa: 5 estrelas

Diagramação: 5 estrelas

Obra Completa: 4 estrelas




O combate já vai começar. Só que, desta vez, será dentro do computador. O cibertransporte garantirá a entrada do prepotente Eugênio na máquina. Ele vai lutar, num game chamado Greeks, contra um personagem que ele próprio criou. Criador x Criatura. Será que, como nos mitos gregos, a criatura há de amargar um castigo eterno ou vai acabar virando o jogo?

Sobre a autora:

Escritora para jovens com 23 livros publicados (inclusive na França e nos EUA),
Laura Bergallo é também jornalista, publicitária e editora de publicações científicas. Seu livro 'A Criatura' recebeu o Prêmio Adolfo Aizen/2006, da União Brasileira de Escritores, como melhor livro juvenil dos anos de 2004/2005.

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Opinião:

Se vocês estão procurando algo para sair da ressaca literária ou para apenas entreter, “A criatura” é uma obra perfeita para isso. Sabe aquele livro com enredo leve e curto com edição chamativa? É o que encontramos. Laura Bergallo é escritora para jovens, o assunto mais abordado em seus livros é sobre tecnologia, aquela coisa de realidade virtual e tudo mais.
Não é diferente em “A criatura”. Somos apresentados a um mundo tecnológico que não é tão impossível de acontecer. Ao mesmo tempo que é ficção, podemos, sim, coincidir com a realidade.

O personagem principal, Eugênio, possui os dois valores mais conceituados na sociedade hoje em dia: inteligência e dinheiro. Apesar de ser um personagem, ou seja, totalmente fictício, a autora o fragmentou com características de uma pessoa real. Eugênio é frio, calculista, enfadonho e superior a tudo. Com isso, sabemos que quanto mais rica e talentosa a pessoa for, mais independente ela será.

Peguei-me várias vezes me imaginando no lugar de Eugênio, é magnifico quando entramos no mundo do enredo e encarnamos o personagem. É aquele momento em que começa a filosofia da vida do “SERÁ”. “Será que se eu fosse como ele teria as mesmas atitudes?”. Aquela coisa de deixar o leitor perplexo a ponto de ficar pensando horas e horas no assunto, nem todo autor domina.

O anti-herói e o herói são pessoas totalmente ao contrário do que estamos acostumados a ver. Geralmente, um é o bonzinho e o outro é o maldoso. Em “A criatura” é diferente. O herói, que é o protagonista, tem atitudes malévolas e o anti-herói é quem sofre as consequências, por isso é CRIADOR x CRIATURA. A construção dos dois foram desenvolvidas muito bem, confesso que gostei muito mais do anti-herói que é herói.

Os personagens secundários tiveram participações extremamente pequenas, mas se não fosse pela atitude de um personagem X, tudo o que ocorreu no livro não ia existir. O campo de batalha entre o Eugenio e a criatura, foi feito exatamente por esse personagem. Por isso que eu fico muito atenta a criação e organização dos secundários.

"... - Não sei, mas me impressiona muito. Tem a ver com tudo o que acontece... entre criador e criatura."

A estória apresentada é bem simples. Os diálogos são interessantes, os acontecimentos prendem a atenção do leitor e a descrições das ações são bem apresentadas, fazendo com que o leitor participe do momento. Como eu havia dito, é apenas um livro para entreter.

O desfecho foi além das minhas expectativas. Chega em um determinado momento em que a batalha entre CRIADOR X CRIATURA acaba e somos apresentados ao vencedor, até que... BUM! Viramos a página e acontece outro desenvolvimento que faz-nos sentir enganados. Eu adorei o final, foi o que eu realmente desejava para o Eugênio.

A escrita de Laura é rápida e pouco detalhista. Não tem aquela coisa que muitos consideram maçante, aonde o autor descreve até a cor da célula do pé esquerdo dos personagens. Eu, particularmente, adoro autores descritivos, mas também aprecio os que são fluidos nos detalhes e mesmo assim não deixam faltar nenhuma informação ao leitor.

Em suma, “A criatura” é uma obra curta para entreter, com personagens bem estruturados e diálogos interessantes, acontecimentos marcantes e ações bem descritas. Se vocês estão procurando algo assim, super recomendo!

A edição está maravilhosa. Algumas páginas são brancas com detalhes verdes, outras são pretas. O mais intrigante é que quando começa o momento de conflito da estória as páginas começam a ficar pretas, dando aquele ar de “dark”. Amei essa ideia. 

Beijo e até a próxima!

Crítica: A Lenda de Materyalis de Saymon Cesar


Páginas: 239

Autor(a): Saymon Cesar

Editora: Novo século

Ano de Publicação: 2016

Avaliação:

Capa: 5 estrelas

Diagramação: 5 estrelas

Obra Completa: 5 estrelas + favorito.




No princípio dos tempos, as sociedades de Hedoron acreditavam nos mandamentos dos servos de Materyalis, suposto deus criador do Universo e da vida. A lenda diz que a divindade se angustiou ao observar os atos corruptíveis das suas criaturas e atribuiu a si toda a culpa da imperfeição dos povos. Sua consciência ator¬doada separou sua essência em duas entidades, criadoras de ideologias extremistas que dividiram a crença das sociedades. Assim nasceu a materja, a guerra que visa a consolidação de uma verdade entre todas as raças. Avessa ao propósito da contenda milenar surge uma sociedade secreta, que busca o único artefato capaz de desvendar o que realmente foi Materyalis e, assim, livrar os povos da dúvida que os condenou aos intermináveis confrontos. Mas, para chegar ao objetivo, é necessário usar a misteriosa aptidão de cinco indivíduos habitantes de Aliank, um reino dominado por contradições que podem apressar a ruína do mundo antes que a verdade sobre Materyalis seja revelada.

O autor Saymon Cesar enviou o livro em forma de parceria. Muito Obrigada, principalmente por confiar em nosso trabalho. Desejamos todo o sucesso do mundo! Niho!

Sobre o autor:

Saymon Cesar,
Nasceu em Natal, Rio Grande do Norte, mas vive no Rio de Janeiro desde a infância. Admirador da literatura fantástica e pesquisar de diversas religiões e culturas teve a ideia de unir esses dois interesses numa trama para um fórum de RPG, criado em 2006.
Foi aí que nasceu o objetivo de transformar A lenda de Materyalis em uma série literária contando com o apoio de parceiros, que criaram personagens para este audacioso projeto, Saymon montou a primeira trama de uma saga recheada de mistérios, que propõe diversão e reflexão num universo onde a fantasia se mistura a situações complexas, mas muitas vezes análogas ao nosso cotidiano.

Segue os dados do autor caso queiram adquirir o livro ou conversar com ele:


Opinião:

Quem me acompanha há um tempo sabe o quanto sou apaixonada por livros de fantasia, afinal, J.R.R.Tolkien é o meu autor preferido. Esse universo de personagens bem elaborados, mundos originais, guerras, batalhas, elfos, orcs entre outros, é algo encantador. Hoje, venho apresentar a vocês um autor NACIONAL que me proporcionou viver neste universo novamente.

Somos apresentados a três ideologias para um mesmo deus. Cada uma crê e segue doutrinas diferentes, é como se fossem as religiões do nosso mundo, foi uma grande sacada do autor de fazer-nos comparar o universo fictício com o real. Não acho necessário descrevê-las detalhadamente aqui, vocês precisam ler para descobrir o que cada uma significa, mas, basicamente, temos as seguintes características: Teryonismo – “representa” aqueles fieis ortodoxo, que seguem as doutrinas de qualquer forma, seja para fazer o bem ou o mal; Marilismo – “representa” aqueles fieis que vê bondade na maldade, e por ultimo, Emylismo – “representa” aqueles fieis que acreditam que as guerras só irão acabar se o deus voltar para trazer a paz e, apesar de seguir doutrinas e ter muita fé, as escolhas e decisões são baseadas em seus próprios pensamentos.

“Servir a Materyon não significa que fugiremos da realidade que ele e Marilis projetaram para todos nós, vivos ou mortos.”

Em minha opinião, Saymon foi muito inerente ao criar essas ideologias. Vivemos isso no mundo real, já que temos pessoas de várias religiões, e isso causa guerras e intrigas, onde muitas vezes nos vemos obrigados a seguir tal coisa que não queremos por causa de família ou até mesmo preconceitos. Ao terminar de ler, cheguei à conclusão de que convivo, diariamente, com o Marilismo. Claro, isso é uma opinião minha. Adorei essa ideia do autor de misturar fantasia com o real, achei admirável.

“Mas a incerteza sobre o que ele realmente era provocou a guerra ideológica entre as raças, que desconhece limites, destrói inúmeras vidas e já se estende por mais de três milênios.”

Os personagens foram construídos de uma maneira muito peculiar. Apesar de vários humanos, elfos ou mestiços de ideologias diferentes, cada um possui características únicas. É como se fossem pessoas reais, com pensamentos e atitudes diferentes. Em nenhum momento encontrei fragmentos iguais em personagens distintos, e, por esse motivo, ficou difícil escolher o meu preferido. Saymon dosou cada um com qualidades e defeitos suficientes para deixar o ritmo da história desenvolta, já que é dificultoso guardar o nome de cada um logo de inicio. Os dens (dons) de cada um foram planejados e organizados genialmente. Todos os personagens considerados protagonistas foram bem aproveitados, consentindo aquela vontade de querer um livro separado contando a vida de cada um. Os anti-heróis são desumanos, maléficos e impiedosos, deixando as descrições dos fatos muito mais intensos.

Os personagens secundários são tão interessantes e estruturados que, ao deparar-me com momentos em que os tais entram em conflitos, fiquei triste. Eles são tão indispensáveis e significativos quanto os protagonistas.

“... Com ele, também partia um pouco do amor, o mais belo de todos os sentimentos, tão necessário e raro naqueles tempos de guerra.”

Eu adoro quando o narrador é intruso, pois, além de termos a visão dos personagens, temos a do próprio narrador. Harcos – narrador – é muito inteligente, seus pensamentos sobre tudo o que está acontecendo são bem delicados e instruídos. Saymon escreve tão bem que, conseguiu passar todos os detalhes das batalhas e descrições mais detalhadas através de um personagem que não vivenciou nada do que foi descrito, apenas está observando e nos contando.
Os conflitos são bem retratados, em vários momentos peguei-me totalmente focada até terminar o parágrafo para saber quem ia vencer. Entretanto, o autor não usa apenas combates – mão a mão – para representar esses conflitos, muitas vezes os próprios diálogos entre os personagens especificavam essas batalhas de tão intensos e filosóficos.

“ – Pode ser bom com as armas, Lorde Sarlakros, mas é ridículo com as palavras.”

Apesar dos nomes difíceis, tanto dos personagens, como das ideologias, lugares e dens, a escrita de Saymon é fluida, agradável e muito bem desenvolvida. De inicio não é tão fácil decorar todas aquelas informações, mas, no decorrer da leitura, decorei tudo que nem percebi.

O desfecho casou com o meio e o inicio, pode parecer meio estranho ter acabado daquela forma, mas, sabemos que terá continuação, então foi muito mais do que satisfatório.

Em suma, a Lenda de Materyalis é uma leitura muito bem estruturada e bem feita, com momentos intensos, diálogos filosóficos, personagens cativantes e muitas batalhas. Eu recomendo para todos os leitores que gostam de viajar em um mundo totalmente fantástico, mas, ao mesmo tempo, que se mistura com o nosso cotidiano. Se vocês gostam de espadas, elfos, dragões, deuses, leiam! Vão adorar.


ENTREVISTA:

Para deixar a critica completa, realizei uma entrevista com o autor, envolvendo perguntas baseadas em sua vida pessoal e de escritor. Confiram:

1° - Ao terminar o livro, deparei-me com dois mundos: um mundo criado a partir da história apresentada e outro mundo criado a partir do RPG. As características dos personagens, vestimentas, armas, descrição das lutas, ambientes, tudo me levaram a pensar em um jogo. Você pensa, futuramente, em criar um game RPG baseado no universo de Materyalis?

RESPOSTA: Na verdade, A Lenda de Materyalis começou em um fórum de RPG. Em 2004, iniciei um grupo com esse tema e, desde então, fui evoluindo o enredo. Minha ideia inicial era escrever um livro de RPG com o apoio de alguns amigos, e o projeto da criação dos romances existia, porém, era muito vago. Durante todo esse tempo, minhas prioridades variaram muito e, só em 2014, consolidei um projeto literário em conjunto com companheiros de jogo do próprio fórum, que ainda existe e serve para a criação dos roteiros dos livros. Os protagonistas foram criados por cinco coautores (Desirreé Schwarcz - Dotter, Jorge Augusto - Hirlun, Giovanna Casseb - Liliel, Bruno Gomes - Sarlakros, Jean Marques - Morhariel), que trabalharam o enredo e demais características em conjunto comigo. Em suma, tudo o que jogamos no fórum se transforma numa obra literária no final. Assim nasceu o projeto Crônicas de Aliank no universo d'A Lenda de Materyalis. Posso te dizer que já existe muito material para lançar um livro de RPG, embora ainda não haja previsão para isso acontecer. Há, também, um projeto paralelo de um game, sim, mas ainda em fase muito inicial. É possível explorar o tema d'A Lenda de Materyalis de muitas formas e, certamente, em algum momento vou focar minhas atenções nesses projetos.  

2° - Eu percebi que A lenda de Materyalis está sendo muito bem recebido por quem o lê. Alias, você está tirando do próprio bolso para enviar livros aos parceiros. Suas expectativas estão sendo alcançadas em relação ao feedback dos leitores? E sobre a parte econômica, queria saber sua opinião sobre isso: publicar livro por amor, ou por fins lucrativos?

RESPOSTA: As expectativas estão bem melhores que o esperado. Eu estava muito inseguro em relação ao retorno que os leitores dariam, principalmente devido a aceitação em nosso país das obras de literatura fantástica criadas por autores nacionais. Temia, também, que tudo que criei a nível de características do universo materyalístico, nomes e tudo o mais gerasse uma visão distorcida das minhas intenções. As pessoas poderiam pensar que eu escrevi tudo isso para tentar desesperadamente me igualar a grandes autores do gênero, o que não é verdade. Eu sinto necessidade de colocar uma identidade em cada componente no universo d'A Lenda de Materyalis, pois é o meu estilo. Mas encarei os receios e prossegui. Felizmente, os leitores estão percebendo tudo da forma correta. Ver tanta gente lendo, desejosos pela continuidade, é muito gratificante e traz uma realização muito forte. Por exemplo, quando alguém está tão envolvido com a trama e vem me procurar, se roendo de curiosidade em saber quando sai o próximo livro, é indescritível e emocionante. Já li e ouvi tanta coisa legal que me sinto cada vez mais motivado com o trabalho.

Já em relação a parte econômica, não tenho qualquer problema em falar sobre isso. Minha opinião é direta: escrever primeiro por amor, pelo prazer que isso gera e, claro, por ser o elemento principal para gerar uma boa obra. Quero levar boas histórias para muitas pessoas e ajudar quem eu puder. Porém, viso também uma consolidação financeira, que traga conforto a mim e a minha família, e que permita que eu trabalhe 100% para a minha paixão literária e possa desenvolver outros projetos. Meu sonho é viver de contar histórias, como diz o aclamado André Vianco. É complicado conseguir isso por aqui, mas minha perseverança não permite que eu pare. Não é possível se iludir e dizer que dinheiro não é necessário para divulgar a obra e fazer o projeto evoluir também. Então não vejo nenhum pecado nisso, desde que o foco sempre seja na qualidade da nossa literatura, usando o recurso financeiro como uma ferramenta de trabalho, não como uma ambição desvairada e mesquinha.

3° - Infelizmente, no Brasil, autores não são valorizados o quanto deveriam ser. Para piorar, os brasileiros não possuem o habito de ler livros nacionais. A cultura do nosso país é baseada em culturas de outros países. Porém, devemos mudar isso; já que temos muitos escritores que merecem reconhecimento. Qual a sua opinião sobre isso? O que faria, como escritor, para mudar essa visão das pessoas em relação à literatura brasileira? Já pensou em desistir de ser escritor ou de publicar uma obra por conta desses pré-conceitos? Sua família de apoiou nesse universo literário?

RESPOSTA: Não dá pra dizer que os pré-conceitos com os autores nacionais inexistem. Isso é visível e palpável. Meu dever como escritor é incentivar outros que desejam se transformar em autores a seguir firme no caminho da literatura brasileira, que é riquíssima. O Brasil está contaminado com a ideia de que obras nacionais não têm qualidade e que não vale a pena perder tempo com elas. É dever dos autores também fazer um pouco do papel de médico para remediar esse pensamento, mas é um trabalho muito longo. É, verdadeiramente, quebrar um enorme paradigma e, como isso demanda tempo, muita gente desiste e avançamos pouco. Portanto, penso nessa mudança como um projeto, que não tenho ideia de quanto tempo precisará para se concretizar, ou mesmo se estarei vivo para ver o resultado. Porém, sei bem que, se entrarmos numa onda de conformismo, as próximas gerações de talentos estão fadadas a viver o mesmo problema. Não gosto de pensar apenas como "não quero que meus filhos passem por isso". Não quero que os meus e os de todos não vivenciem tais dificuldades. Não conseguiremos isso nos escorando em discursos vazios, sem qualquer amparo de atitudes coerentes para mudar esse quadro. Não é justo que um conjunto de livros nacionais com menor aceitação estereotipem todos os outros. 

Agora que o meu livro começou a ter mais visibilidade, estou pensando em algumas ideias para fomentar o incentivo à literatura nacional e unir as pessoas para valorizarmos escritores da nossa pátria. Gosto de desenvolver minha criatividade (a maior qualidade de um brasileiro, ao meu ver) e, assim como fui persistente com A Lenda de Materyalis, serei nesta finalidade. Estou certo que ocorrerão resultados promissores. Sonho em ir numa livraria onde a maior parte dos livros expostos são nacionais. Como disse, não sei se viverei para ver isso, mas farei a minha parte para envolver as pessoas nesse pensamento. 

Por fim, nunca pensei em desistir por causa dos pré-conceitos. Penso que a boa crítica é aquela que dosa coerentemente qualidades e defeitos. Se eu tivesse dado ouvidos a pessoas que me disseram que não vale a pena ser escritor no Brasil, ou que minha ideia não tinha futuro, não estaria vivenciando o que estou hoje, nem daria chance para esse panorama mudar e crescer. Felizmente, tive uma excelente estrutura familiar para me incentivar também. Especialmente minha esposa e minha mãe, que sempre conversaram serenamente comigo para me acalmar nos momentos difíceis. Mas, também foi por eu me juntar às pessoas certas que hoje o livro está aí, ocupando um pequeno espaço nas prateleiras de muitos admiradores da literatura fantástica. 

4° - Os nomes dos personagens, as ideologias, os dens (dons), os tipos de armas e entre outras coisas foram criações suas, ou seja, originais – parabéns por isso -; assim como a JK.Rowling fez com o universo de Harry Potter. Houve alguma base para isso? Por exemplo, o nome da guerra Marteja: você juntou palavras? Ou olhou para o lado e simplesmente pensou: MARTEJA? Isso serve para todos os itens criados.

RESPOSTA: Obrigado pelo reconhecimento! Veio tudo da minha cabeça mesmo. Algumas pessoas falam que não conseguem decorar os nomes e que eles são complicados, mas acredito que todos eles são importantes para construir a identidade que desejo expressar na profundidade da obra, assim como outros autores renomados fizeram. A própria J.K. Rowling é um bom exemplo disso, nos nomes das habilidades que os bruxos usam. Eu quis enriquecer A Lenda de Materyalis e, nesse ponto, não vejo como fazer isso sem sair da comodidade da cópia. Cada denominação tem um sentido. Materja, por exemplo, vem da suposta língua artanin (criaturas espirituais do universo materyalístico). "Mater" seria "matéria" e, "ja", vem da união de dois caracteres que criam a contradição entre certo e o errado. Há alguns artigos no site oficial falando da origem das palavras. Materja, por exemplo, tem uma postagem falando especificamente sobre ela. Recentemente, comecei a me aprofundar no desenvolvimento da língua artanin, que será melhor explorada ao longo dos próximos meses. 

5° - A ultima pergunta, mas não menos importante (a mais clássica de todas) é: Todo autor possui uma inspiração, qual a sua?

RESPOSTA: Várias! Tolkien me inspira muito, como você deve ter percebido. Porém, confesso que eu não teria colocado elfos ou raças análogas ao universo dele, pois eu queria algo muito próprio. Mas já existe toda uma cultura estabelecida no fórum de RPG, onde tanta gente curte raças já conhecidas e as escolheu para jogar. Portanto, procurei fazer com que cada uma tivesse sua particularidade em Hedoron, e essas coisas vão se revelando conforme os livros saírem. Mas, voltando ao centro da questão (eu tenho uma grande facilidade em pegar certos ganchos em assuntos e me desvirtuar do foco, rs), o contato com a natureza é essencial para eu me inspirar. Muitas vezes, escrevo com uma vista para as montanhas, com muito verde, na minha casa, com direito a um belo por do sol. E, daqui, voltamos a influência do Tolkien: gosto muito da trilha sonora da trilogia O Senhor dos Anéis, e a escuto frequentemente enquanto estou escrevendo. Tudo isso me impulsiona bastante e fazem minha mente viajar para Hedoron. Além disso, o feedback da minha família, meus companheiros de grupo do RPG Materyalis, sempre me inspiraram muito e foram essenciais para criar o livro. Agora, vivo uma novidade com o apoio dos leitores e parceiros, o que está fazendo minhas ideias fluírem muito mais. Podem se preparar para um volume 2 muito mais intenso que o primeiro e, ao meu ver, dez vezes melhor. E vocês sabem que o "dez" tem um significado misterioso na trama, não sabem? :)

Então é isso, leitores! Até a próxima

Crítica: The Kiss of Deception de Mary E.Pearson

Páginas: 406


Autor(a): Mary E.Pearson


Editora: DarkSide Books


Ano de Publicação: 2016


Avaliação:


Capa: 5 estrelas


Diagramação: 4 estrelas


Obra Completa: 3 estrelas





Tudo parecia perfeito, um verdadeiro conto de fadas menos para a protagonista dessa história. Morrighan é um reino imerso em tradições, histórias e deveres, e a Primeira Filha da Casa Real, uma garota de 17 anos chamada Lia, decidiu fugir de um casamento arranjado que supostamente selaria a paz entre dois reinos através de uma aliança política. O jovem príncipe escolhido se vê então obrigado a atravessar o continente para encontrá-la a qualquer custo. Mas essa se torna também a missão de um temido assassino. Quem a encontrará primeiro? Quando se vê refugiada em um pequeno vilarejo distante o lugar perfeito para recomeçar ela procura ser uma pessoa comum, se estabelecendo como garçonete, e escondendo sua vida de realeza. O que Lia não sabe, ao conhecer dois misteriosos rapazes recém-chegados ao vilarejo, é que um deles é o príncipe que fora abandonado e está desesperadamente à sua procura, e o outro, um assassino frio e sedutor enviado para dar um fim à sua breve vida. Lia se encontrará perante traições e segredos que vão desvendar um novo mundo ao seu redor. O romance de Mary E. Pearson evoca culturas do nosso mundo e as transpõe para a história de forma magnífica. Através de uma escrita apaixonante e uma convincente narrativa, o primeiro volume das Crônicas de Amor e Ódio é capaz de mudar a nossa concepção entre o bem e o mal e nos fazer repensar todos os estereótipos aos quais estamos condicionados. É um livro sobre a importância da autodescoberta, do amor, e como ele pode nos enganar. Às vezes, nossas mais belas lembranças são histórias distorcidas pelo tempo.

Talvez a palavra que melhor descreva 'The Kiss of Deception' seja: 'hype'. O livro que, aparentemente, era mais um lançamento entre tantos outros do gênero, acabou encantando leitores de todo o mundo, fazendo assim, com que a DarkSide trouxesse o livro para nós, brasileiros. E, apesar de todo o burburinho ao redor deste lançamento, confesso que o livro não me agradou tanto assim. É mais um daqueles produtos que são espalhadas pela web, mas que não entregam o que prometem.

Levando em consideração o público-alvo de 'The Kiss of Deception', é óbvio que devemos avaliar o livro em uma esfera diferente, do que avaliariamos um livro clássico, por exemplo. Pois bem! Já no início a obra se mostra um pouco perdida e páginas e mais páginas de acontecimentos insossos são entregues. Meu interesse, admito, foi caindo aos poucos. Mesmo depois que personagens importantes são apresentados, o livro continua morno e com um ritmo bem problemático.

"Meu vestido flutuava atrás de mim, agora cansado-me com uma vida de incertezas, mas que assustava bem menos que a vida de certezas que eu tinha encarado. Agora, essa vida era um sonho criado por mim mesma, na qual o único limite era minha imaginação. Era uma vida comandada por mim, apenas por mim."

Já chegando na página 250, é perceptível a mudança de ritmo que o livro tomará. Em demasiado pelas pistas que a autora deixa durante toda a trama e, obviamente, porque o clímax precisa chegar. Assim sendo, Mary E.Pearson finalmente revela o segredo que movimentava o livro. Afinal… Quem é o príncipe/assassino? O único problema é que este mesmo segredo não conseguiu sustentar-se por meros capítulos. Assim que a descrição dos personagens é feita, descobrir quem é quem se torna ridículo de tão fácil. Proposital? ESPERO que sim!

A criação de mundo é bastante rasa, mas isso não foi uma surpresa, já que até os admiradores do livro concordam com tal fato. Tudo é decorrente de um acontecimento X no início do livro, acontecimento este, que necessita de um embasamento político para se mostrar verossímil. E adivinha… Não se mostra. Não há desenvolvimento da parte política do livro. Tudo se resume em alguns pequenos parágrafos de diálogos datados.

"A verdade é que achei ambos atraentes, cada um à sua maneira. Ora, eu não estava morta."

Acalme-se pequeno gafanhoto! Não, nem tudo no livro são defeitos. Ele possui qualidades que se destacam, por justamente serem inovadoras e muito bem trabalhadas; É interessante notar a evolução da escrita de Pearson durante o livro e, mais interessante ainda, é a maneira como tudo é poético, quando narrado pela autora. O nome é: talento. Pena que essa deliciosa narrativa se perde em um livro que não tem muito o que contar.

Atualmente podemos comemorar, não é mesmo? O movimento feminista tem ganhado espaço cada vez mais e me alegra ler/ver personagens fortes em obras de ficção. Lia é uma delas! Apesar de se envolver em um triângulo amoroso – me pergunto qual a necessidade disso em TODA obra YA de fantasia – a personagem se posiciona sempre e não tem a mesma clichê e indefesa voz de tantas outras protagonistas que já conhecemos por aí. O livro ganhou pontos comigo e me apegar a Lia não foi difícil.

"Durante minha vida toda sonhei com alguém me amando pelo que eu era. Por quem eu era. Não por ser a filha de um rei. Não por ser a Primeira Filha. Apenas por mim. E, com certeza, não porque um pedaço de papel ordenava isso. "

Preciso dizer algo sobre a edição? Todos estão cansados de saber que a editora DarkSide Books é a melhor neste segmento e talvez, este seja um dos livros mais bonitos da editora. A arte da capa está lindíssima, assim como todo o livro por dentro e no início de capítulos. Um trabalho primoroso! Só peço que eles tenham mais atenção com a tradução e revisão de seus livros. Já encontrei diversos erros em outras publicações da editora e com esse livro não foi diferente. O problema se agravou, na verdade. Não deixem o trabalho de vocês brilhar menos por erros como esses.

The Kiss Of Deception é um livro que não apresenta nada inovador e se perde com acontecimentos que, na verdade, não vão para lugar algum. As coisas melhoram um pouco devido sua protagonista forte e sua última parte bem animadora. Recomendo se você é amante do gênero e se está disposto a ler uma trilogia (com bastante páginas) de fantasia adolescente.

Crítica: O Velho e o Mar de Ernest Hemingway

Páginas: 124

Autor(a): Ernest Hemingway

Editora: Bertrand Brasil

Ano de Publicação: 1952


Avaliação:

Capa: 5 estrelas

Diagramação: 5 estrelas

Obra Completa: 5 estrelas + favorito.




A história tem como personagem principal um velho pescador chamado Santiago. Apesar de muito experiente, Santiago encontra-se numa maré de azar, tendo ficado quase três meses - 84 dias - sem conseguir pescar um peixe. Quando finalmente consegue pescar algo, o velho pescador tem que lutar com um gigante espadarte em alto mar por entre a Corrente do Golfo. Apesar de ter sido alvo de apreciações muito divergentes por parte da crítica, é uma obra que permanece uma referência entre os livros de Hemingway, tendo reafirmado a importância do autor em tempo de qualificá-lo para o Prêmio Nobel de Literatura de 1954.

Há um bom tempo atrás me deu uma vontade louca de ler “O velho e o mar”. O motivo? Nem eu sei. Depois de ficar namorando essa obra magnífica, finalmente comprei e li; na verdade eu DEVOREI. O livro tem apenas 124 páginas, terminei em duas horas, no máximo. Ao mesmo tempo em que terminá-lo rápido foi bom, foi ruim também. Bom porque eu desfrutei de uma história sensacional que vai ficar marcada em minha vida para sempre; ruim porque eu queria mais, muito mais. Sim, foi um dos melhores livros que eu li na vida, e olha que minha lista não é grande. Como eu gostei tanto de um livro pequenino a ponto de vira-lo favorito e mexer com meus pensamentos? Confiram a crítica! Lembrando que a qualidade não está no tanto de páginas, e sim nas palavras do autor e na mensagem que o mesmo deseja passar.

“Tudo o que existia nele era velho, com exceção dos olhos que eram da cor do mar, alegres e indomáveis”.

Infelizmente a mensagem que Ernest passou é implícita. Sim, implícita; lendo algumas críticas cheguei a uma conclusão em que não existe meio termo para esta obra. Ou você ama, ou odeia. Não é uma narrativa de ação ou aventura, aonde o velho vai se aventurar em alto mar, com peripécias e tudo mais. É muito mais do que isso, é algo profundo, delicado. Aborda assuntos muito mais interessantes, como: a convivência do homem com os animais e a natureza, a luta pela honra e sobrevivência. Solidão, humildade e solidariedade.

Hemingway nos apresenta apenas dois personagens: o protagonista – velho Santiago – e o seu jovem amigo, Manolin; que é aquele personagem secundário muito especial, apesar de pouco caracterizado e aproveitado. Santiago é a representação do homem que não existe mais; não estou falando do homem sentido sexo masculino, e sim do homem HUMANO. Ele é um velho simples e muito sábio, que sabe o seu lugar na natureza, entende muito bem que a sua existência é muito insignificante comparado ao resto dela. Depois de ficar 84 dias sem pescar um peixinho sequer, Santiago resolve provar a sua honra de pescador e sai em alto mar para pescar algo. Eis que ele se depara com um peixe enorme, maior do que seu próprio barco. Ele fica feliz com a conquista, mas ao mesmo tempo apreensivo. Será que é merecedor de um peixe assim?

“Mas é bom que não tenhamos que tentar matar a lua, o sol ou as estrelas. Já é ruim o bastante viver no mar e ter que matar os nossos verdadeiros irmãos.”

A mensagem de Ernest aparece neste momento, mostrando a relação entre o homem e animal. Santiago não pescou o peixe por maldade, tanto que nem se acha merecedor disso, pescou por ambição, para provar uma coisa: os animais são muito mais inteligentes do que nós, meros humanos. Nessa luta, o Velho usa o que tem de melhor: justiça e respeito. A única arma que tem são as iscas, nada mais. E o respeito é: ele não mata o peixe, e sim espera o mesmo se entregar como derrotado.

Conforme fui lendo, percebi que Santiago tem uma visão muito ampla em relação ao que faz. Ele sabe que, dependendo da forma que pescarmos, será um ato “bom”; desde que você mostre para aquele ser toda a sua honra e bravura, e faça-o entender que é muito mais superior a nós, do que nós a ele; com destaque para a importância não só da experiência, mas também da sorte e da perseverança. Hoje em dia a pesca, caça ou o gado é tratado de forma muito bruta. Eu sei que na hora de comer não pensamos no peixe sendo morto, ou o boi ficando forte para dar aquela carne boa. Mas, uma coisa que devemos lembrar sempre: somos meros NADAS perto dos animais e da natureza.

“Quantas pessoas ele irá alimentar? Mas serão merecedores de um peixe assim? Não, claro que não. Ninguém merece comê-lo, tão grande a sua dignidade e tão belo o seu modo de agir.”

Santiago foi muito bem construído e caracterizado com fragmentos que falta em nós. Suas qualidades são tão raras, que tudo isso me deixou perplexa. Agora vocês conseguem compreender porque eu gostei tanto do enredo? Foi o único livro que eu li que trata o ANIMAL como SUPERIOR e o homem como INFERIOR.

A escrita de Hemingway é bem leve, fluida e muito filosófica. Os diálogos são intensos e apreensivos. Sua estratégia de mistério foi a espera de saber quem ia ganhar a luta: animal ou homem. O clímax e conflito foram bem descritos, o desfecho foi MUITO agradável. Afinal, Santiago conseguiu pescar ou não? Leiam para descobrir e deleitem-se nessa maravilha.
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